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Vaticano. Pessoas transgénero podem ser batizadas como católicas e ser padrinhos
Esta quarta-feira foi publicado um documento do Dicastério para a Doutrina da Fé, aprovado no mês passado pelo papa Francisco, que autoriza as pessoas transgénero, em determinadas circunstâncias, a serem batizadas na Igreja Católica e a serem padrinhos, avançou o gabinete de Doutrina do Vaticano.
O Vaticano anunciou que uma pessoa transgénero “pode ser admitida ao papel de padrinho” para o batismo, assim como pode servir de testemunha num casamento e pode receber o batismo pela Igreja Católica "nas mesmas condições que os outros fiéis". "Mesmo que tenha sido submetida a terapia hormonal e a cirurgia de mudança de sexo”, esclarece o gabinete.
De acordo com o documento do Dicastério para a Doutrina da Fé, o direito de ser batizado também se estende a filhos de casais homossexuais, adotados ou concebidos com recurso a barriga de aluguer, desde que seja bem fundamentado "que a criança seria educada na religião católica".
No entanto a decisão foi tomada com uma ressalva, que determina que os batizados só serão possíveis “se não houver situações em que haja o risco de gerar um escândalo público ou confusão entre os fiéis".“É um passo importante para a inclusão das pessoas trans" afirmou Francis DeBernardo, do New Ways Ministry.
Para Francis DeBernardo, diretor executivo do New Ways Ministry, cuja missão é promover o alcance da Igreja aos católicos LGBTQ+, esta “é uma grande e boa notícia”, disse à Associated Press.
O documento foi publicado como resposta a perguntas sobre a participação em batismos e casamentos de pessoas transexuais e homossexuais, enviadas pelo bispo brasileiro de Santo Amaro, José Negri, em julho deste ano e foi assinado pelo prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, o cardeal argentino Víctor Manuel Fernandéz.
A posição defendida no documento é fundamentada com citações a São Tomás de Aquino e Santo Agostinho e recorda que o próprio papa Francisco defende que o batismo “é a porta que permite a Cristo estabelecer-se na pessoa” e que a Igreja “não é uma alfândega, mas uma casa paternal onde há espaço para todos”.
c/agências