Venezuela. Guaidó acusa Maduro de querer desmantelar Parlamento

Venezuela. Guaidó acusa Maduro de querer desmantelar Parlamento

O Supremo Tribunal da Venezuela anunciou esta sexta-feira, que Edgar Zambrano, vice-presidente da Assembleia Nacional e braço direito do auto-proclamado presidente, Juan Guaidó, vai ficar detido preventivamente numa prisão militar.

Graça Andrade Ramos - RTP /
A entrada de El Helicoidal, a sede do Sebin, os serviços secretos da Venezuela Reuters

Guaidó denunciou por seu lado a perseguição que Maduro está a fazer aos deputados da oposição, como um autêntico "golpe de Estado".

Zambrano foi detido de forma insólita na quarta-feira à noite, por Funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência da Venezuela (Sebin, serviços secretos).

O político da oposição recusou-se a sair do carro onde se encontrava quando foi interpelado pelo Sebin, o que levou aqueles funcionários a chamarem um camião-grua, para levar Zambrano, dentro do veiculo, até à sede do Sebin, conhecida como "El Helicoidal".

Além dele, outros sete deputados da oposição perderam a imunidade parlamentar por ordem da Assembleia Constituinte, partidária de Maduro. Três deles procuraram refúgio nas residências dos embaixadores da Argentina e de Itália.

"Se há um golpe de Estado na Venezuela, é este: o desmantelamento do Parlamento", reagiu Guaidó em conferência de imprensa, denunciando o "terrorismo de Estado" do Presidente "usurpador", Nicolás Maduro.
À Hollywood

Após a tentativa fracassada por parte da oposição para derrubar Maduro com o apoio dos militares, a 30 de abril, o Presidente venezuelano assumiu as rédeas esta semana e, através da Assembleia Constituinte, decretou a prisão dos deputados, incluindo o vice-presidente da Assembleia Nacional, por apoio à tentativa de rebelião.

A detenção de Zambrano, no centro de Caracas, foi digna de um filme de ação de Hollywood. Uma série de carros do Sebin precipitaram-se, com luzes de emergência e sirenes ligadas, sobre a viatura em que seguia o vice-presidente da Assembleia Nacional, rodeando-a completamente. Deles saíram polícias vestidos de negro e caras tapadas.

Face à recusa do parlamentar em obedecer às ordens para sair do carro, foi chamado um camião grua, que levou o veículo e seu passageiro para a sede do Sebin, no que foi considerado um autêntico rapto.

Mais de 24 horas após a detenção de Edgar Zambrano, a sua advogada Lilia Camejo, não tinha ainda conseguido falar com o seu cliente.
EUA indignados...
Depois da detenção, Richard Branco, um dos deputados visados por Maduro, anunciou ter ido durante a noite para residência do embaixador da Argentina. "Vim aqui passar a noite, pois a minha vida estava em perigo", explicou, dizendo que a sua estadia era "provisória" e que não pensava pedir asilo.

Mariela Magallanes, outra deputada da oposição nomeada pela Assembleia fiel a Maduro, refugiou-se na residência do embaixador de Itália. Ao início da noite de quinta-feira, um outro deputado, Americo Grazia, anunciou na rede Twitter que se tinha juntado a ela.

O Brasil considerou a prisão de Zambrano um "ato de desespero por parte do regime, que está cada vez mais preso, quase sem apoio", conforme palavras do ministro das Relações Externas, Ernesto Araújo.

Já os Estados Unidos, através do seu secretário de Estado, Mike Pompeo, qualificaram a detenção como "arbitrária" e exigiram a "libertação imediata" de Zambrano.

"Este assalto à Assembleia Nacional deveria fazer com que toda a região e o mundo inteiro tomassem consciência de que a ditadura não está interessada em soluções constitucionais para resolver osproblemas do povo venezuelano", afirmou Pompeo.
... e ONU preocupada
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou quinta-feira a sua  preocupação com a prisão de Edgar Zambrano, referindo que a detenção de opositores dificulta uma solução negociada para a crise.

“O secretário-geral está preocupado com a detenção de outro legislador da oposição pelas autoridades venezuelanas”, e reiterou o seu apelo a todas as partes para que adotem “medidas imediatas para reduzir as tensões e evitar qualquer ação que leve a um agravamento da situação", disse o porta-voz das Nações Unidas, Farhan Haq.
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