Venezuela. México recusa envolver-se e tomar partidos

Apesar das pressões, o Presidente do México recusou esta terça-feira escolher um lado na crise da Venezuela. "Não quero envolver-me nisto, isso é certo", afirmou Andrés López Obrador aos jornalistas, na sua habitual conferência de imprensa matutina.

Graça Andrade Ramos - RTP /
O Presidente do México, Andres Lopes Obrador, a 15 de fevereiro, no Palácio Nacional na Cidade do México. Reuters

"O México irá respeitar a decisão assumida por outras pessoas, por outros Governos", acrescentou Obrador.

Desde que, a 23 de janeiro, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, invocou a Constituição do país para se autoproclamar presidente interino, desafiando Nicolás Maduro, que a crise humanitária na Venezuela se agudizou e alastrou à política.

Guaidó recebeu o apoio dos Estados Unidos e da União Europeia, assim como da maioria dos países da América Latina, mas Obrador, um Presidente eleito pela esquerda, recusa seguir essa via, apesar da pressão dos Estados Unidos.

A entrada da ajuda humanitária internacional, prometida por Guaidó e tentada por milhares de voluntários maioritariamente venezuelanos, esbarrou sexta-feira e sábado na muralha de piquetes do exército, estacionados junto às fronteiras com a Colômbia e com o Brasil.
"Não queremos tomar partidos"
Ao mesmo tempo, os "coletivos", grupos milicianos armados fiéis a Maduro, espalhavam a violência nas ruas de localidades fronteiriças. Nos confrontos e na repressão, morreram pelo menos cinco pessoas e ficaram feridos mais de 200 civis.

Na segunda-feira, durante o encontro do Grupo de Lima, reunido para avaliar a resposta à intransigência de Maduro em deixar entrar o auxílio humanitário internacional, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, apelou ao México para reconhecer Juan Guaidó como legítimo presidente da Venezuela.

Obrador preferiu manter-se à margem. "Não queremos tomar partidos", justificou.

Nem sequer a breve detenção segunda-feira, no Palácio Presidencial, do jornalista Jorge Ramos, nascido no México, e da sua equipa, mereceu de Obrador mais do que uma breve declaração.

"Expresso daqui a minha solidariedade com ele. O que não quero é envolver-me numa questão que está extremamente polarizada", acrescentou, referindo que se junta ao protesto formal contra o incidente no palácio de Miraflores, apresentado pelo ministro mexicano dos Negócios Estrangeiros.
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