Venezuela. Quem são os acusados pela justiça norte-americana?

Além de Nicolás Maduro e Cilia Maduro, há mais quatro nomes na lista de arguidos da acusação do Departamento de Justiça dos EUA, apresentada esta segunda-feira em Nova Iorque. São eles o filho de Maduro, um ex-vice-presidente da Venezuela, um ex-ministro do Interior, Justiça e Paz e um dos maiores traficantes de droga venezuelanos.

RTP /
Diosdado Cabello foi vice-presidente e é ministro do Interior, Justiça e Paz desde 2024 Foto: Federico Parra - AFP

O presidente venezuelano deposto, Nicolás Maduro, e a esposa, Cilia Maduro, apresentaram-se esta segunda-feira no Tribunal Federal norte-americano. Esta foi a primeira audiência desde a sua detenção, na madrugada do dia 3 de janeiro, por narcoterrorismo, conspiração para a importação de cocaína e posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos.

A acusação de que são alvo engloba outros membros da elite venezuelana, indiciados dos mesmos crimes de importação de cocaína para os Estados Unidos e território aduaneiro americano, fabrico e importação ilegal, posse de droga em aeronaves registadas nos Estados Unidos e uso, porte e posse de armas de fogo.

O Tribunal alega que Nicolás Maduro, Diosdado Cabello Rondón, Ramón Rodríguez Chacín e Hector Flores (niño guerrero) estão envolvidos em operações com grupos de narcotráfico desde 1999.

De acordo com o documento, entre 2003 e 2011, Diosdado Cabello Rondón, ex-vice presidente da Venezuela e atual ministro do Interior, Justiça e Paz, trabalhou com Os Zetas, grupo de narcotráfico mexicano, também conhecido como Cártel del Noreste.

Diosdado Cabello está acusado de proteger o transporte de cocaína desde os portos da Venezuela até ao México, que seguiam depois para os Estados Unidos. Tal como Ramón Rodríguez Chacín, ex-ministro do Interior, Justiça e Paz, Cabello está indiciado de aceitar subornos para proteger o tráfico.

Atualmente, Diosdado Cabello continuava a negociar planos e a receber lucros das remessas, às quais permitia a passagem através de pistas de aviação clandestinas, segundo o caso que está a ser analisado no Tribunal Federal de Nova Iorque.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) entraram nesta rede de operações em 2011, lê-se na acusação. Nove anos mais tarde, num negócio estabelecido com Maduro Guerra, filho de Nicolás Maduro, as FARC eram responsáveis pelo transporte de grandes quantidades de droga e armas para a Colômbia e para os Estados Unidos.

A rede de narcotráfico que engloba o regime de Nicolás Maduro estende-se ainda a um dos maiores traficantes da Venezuela, Hector Rusthenford Guerrero Flores, também conhecido como Niño Guerrero, que é acusado de trabalhar com traficantes e protegê-los com homens armados no transporte de cargas, em 2008, recebendo uma taxa por quilograma de cocaína enviada. 

A partir de 2013, Hector assumiu a liderança por mais de uma década do “Tren de Aragua” (TdA), classificado como uma organização terrorista pelos EUA. 

De acordo com o procurador federal Jay Clayton, em 2019, o líder da TdA, trabalhou com o regime venezuelano em serviços de escolta de cargas de drogas, uma vez que a organização tinha controlo sobre a costa marítima do estado venezuelano de Aragua.
Para além da escolta aos carregamentos de droga, o Departamento de Justiça norte-americano acusa Maduro de planear o envio de droga para Miami, com o apoio de outros traficantes.

Em 2015, outros familiares do presidente, agora deposto, admitiram em reuniões gravadas o plano de enviar remessas de cocaína através do abrigo presidencial no Aeroporto de Maiquetía, com o objetivo de arrecadar 20 milhões de dólares para apoiar uma campanha nas eleições para a Assembleia Nacional da Venezuela.

O Tribunal Federal dos Estados Unidos deverá confiscar todos os bens utilizados pelos réus nestas práticas, lê-se no documento de acusação. A próxima audiência com Nicolás Maduro e Cilia Maduro está marcada para 17 de março.
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