Venezuela recebe 300 milhões de dólares com venda de petróleo após acordo com EUA

A presidente interina da Venezuela anunciou terça-feira um acordo de 500 milhões de dólares para a venda de crude da nação sul-americana.

Lusa /

"Dos 500 milhões de dólares iniciais, 300 milhões de dólares já foram recebidos", frisou Delcy Rodríguez durante uma visita a um centro comunitário em Caracas, num evento transmitido pela emissora estatal Venezolana de Televisión (VTV).

Segundo a governante, estes recursos serão utilizados para "cobrir e financiar" o salário dos trabalhadores, bem como para "protegê-lo da inflação" e do "impacto negativo das flutuações do mercado cambial".

A moeda oficial da Venezuela é o bolívar, mas o dólar norte-americano, e ocasionalmente o euro, são utilizados como referência para a fixação de preços de bens e serviços.

A taxa de câmbio oficial é definida pelo Banco Central da Venezuela (BCV). No entanto, existe um mercado paralelo com uma taxa de câmbio mais elevada, o que criou uma diferença entre as taxas de câmbio, o que significa que os produtos podem ter preços diferentes consoante a moeda utilizada para a compra.

Como explicou na semana passada, a presidente interina reiterou que estas receitas provenientes da venda de crude serão "utilizadas e empregues" através do mercado cambial, no sistema bancário nacional e através do BCV, "para consolidar e estabilizar o mercado", acrescentou.

Na quinta-feira, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, destacou um acordo de 500 milhões de dólares assinado entre Washington e Caracas, segundo o qual os EUA vão comercializar até 50 milhões de barris de crude venezuelano e gerir as receitas antes de as transferirem para o país sul-americano.

Leavitt referiu na altura que a administração liderada por Delcy Rodríguez cumpriu "todos os requisitos e solicitações" da administração Donald Trump.

Rodríguez assumiu a presidência após os ataques norte-americanos em Caracas e em outros três estados, que resultaram na captura do Presidente venezuelano Nicolás Maduro e da sua mulher, a congressista Cilia Flores, que continuam detidos em Nova Iorque.

Desde então, Trump afirmou ter solicitado "acesso irrestrito" aos recursos petrolíferos venezuelanos, enquanto o seu secretário de Energia, Chris Wright, assegurou que os EUA controlarão a venda de crude venezuelano por um período indefinido.

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