Mundo
Vladimir Putin aprova decreto de adesão da Crimeia à Federação russa
O Presidente russo aprovou legislação para formalizar a anexação da Crimeia à Federação Russa, horas antes de discursar perante a Assembleia Federal que inclui ambas as câmaras do Parlamento em Moscovo, além de governadores e representantes da sociedade civil. O decreto assinado por Putin e publicado na página oficial do Governo russo esta terça-feira de manhã é um dos processos de formalização da adesão da península ucraniana.
A Crimeia votou massivamente no domingo pela separação da Ucrânia e pela adesão à Federação Russa, num referendo considerado ilegítimo pelo Governo interino de Kiev, pela União Europeia e pelos Estados Unidos.
Washington e Bruxelas, tal como Kiev, acusam Moscovo de ter ocupado a península ucraniana, há apenas duas semanas. Segunda-feira, tentando pressionar a Rússia a mudar de atitude, ambos os blocos impuseram novas sanções, desta vez a 21 altos responsáveis russos e ucranianos que têm apoiado a secessão.
Espaço para recuar
Um assunto que Putin deverá igualmente abordar perante a Assembleia Federal quando forem três da tarde em Moscovo (11h00 GMT). O discurso do Presidente russo será transmitido em direto pela televisão nacional.
O decreto assinado por Putin esta terça-feira é apenas um dos passos da formalização da anexação da Crimeia pelo que, em teoria, o Presidente russo tem ainda espaço para recuar e evitar o agravamento da crise.
O documento tem ainda de ser assinado pelo líder auto-nomeado da crimeia, aprovado pelo Tribunal Constitucional e ratificado pelo Parlamento.
Estratégia russa
A Crimeia fez parte da Rússia a partir do século XVIII até que, em 1954, o líder soviético Nikita Khrushchev, a transferiu para a Ucrânia, então um estado-satélite de Moscovo. Para a maior parte da população da Crimeia, etnicamente russa, a anexação à Federação Russa equivale a um regresso às origens.
Mesmo após a desagregação do império soviético, Moscovo manteve na Crimeia a sua base naval de Sebastopol pelo que, a anexação da península permite-lhe garantir a segurança da sua frota.
Putin nega que tenha enviado mais tropas para a zona mas reconhece ter agido para proteger os seus interesses e para proteger a populaçao, alegadamente ameaçada por extremistas de direita que teriam tomado o poder em Kiev após orquestrarem e manipularem o descontentamento popular.
A intervenção russa surgiu no rescaldo da fuga do Presidente ucraniano pró-russo Viktor Ianukovich, após meses de contestação violenta nas ruas.
Revolta da Ucrânia
Iniciada em novembro, após o Presidente Ianukovich ter recusado assinar um acordo com a União Europeia, a revolta em Kiev exprimiu a oposição de parte da população ucraniana pró-europeia à reaproximação à esfera de influência de Moscovo .
De início pacíficas, as manifestações tornaram-se progressivamente mais violentas e acabaram por afetar outras regiões, tendo-se registado confrontos entre pró-russos e pró-europeus. Culminaram na fuga de Ianukovich para a Rússia, no final de fevereiro.
Ianukovich foi substituído em Kiev por um governo interino legitimado nas ruas e pelo Ocidente, mas já disse que se considera o verdadeiro Presidente da Ucrânia e promete regressar.
A separação da Crimeia é um duro golpe às aspirações de legitimação do novo poder ucraniano e ameaça alastrar a outras zonas do país onde a populaçao pró-russa é igualmente significativa.
Washington e Bruxelas, tal como Kiev, acusam Moscovo de ter ocupado a península ucraniana, há apenas duas semanas. Segunda-feira, tentando pressionar a Rússia a mudar de atitude, ambos os blocos impuseram novas sanções, desta vez a 21 altos responsáveis russos e ucranianos que têm apoiado a secessão.
Espaço para recuar
Um assunto que Putin deverá igualmente abordar perante a Assembleia Federal quando forem três da tarde em Moscovo (11h00 GMT). O discurso do Presidente russo será transmitido em direto pela televisão nacional.
O decreto assinado por Putin esta terça-feira é apenas um dos passos da formalização da anexação da Crimeia pelo que, em teoria, o Presidente russo tem ainda espaço para recuar e evitar o agravamento da crise.
O documento tem ainda de ser assinado pelo líder auto-nomeado da crimeia, aprovado pelo Tribunal Constitucional e ratificado pelo Parlamento.
Estratégia russa
A Crimeia fez parte da Rússia a partir do século XVIII até que, em 1954, o líder soviético Nikita Khrushchev, a transferiu para a Ucrânia, então um estado-satélite de Moscovo. Para a maior parte da população da Crimeia, etnicamente russa, a anexação à Federação Russa equivale a um regresso às origens.
Mesmo após a desagregação do império soviético, Moscovo manteve na Crimeia a sua base naval de Sebastopol pelo que, a anexação da península permite-lhe garantir a segurança da sua frota.
Putin nega que tenha enviado mais tropas para a zona mas reconhece ter agido para proteger os seus interesses e para proteger a populaçao, alegadamente ameaçada por extremistas de direita que teriam tomado o poder em Kiev após orquestrarem e manipularem o descontentamento popular.
A intervenção russa surgiu no rescaldo da fuga do Presidente ucraniano pró-russo Viktor Ianukovich, após meses de contestação violenta nas ruas.
Revolta da Ucrânia
Iniciada em novembro, após o Presidente Ianukovich ter recusado assinar um acordo com a União Europeia, a revolta em Kiev exprimiu a oposição de parte da população ucraniana pró-europeia à reaproximação à esfera de influência de Moscovo .
De início pacíficas, as manifestações tornaram-se progressivamente mais violentas e acabaram por afetar outras regiões, tendo-se registado confrontos entre pró-russos e pró-europeus. Culminaram na fuga de Ianukovich para a Rússia, no final de fevereiro.
Ianukovich foi substituído em Kiev por um governo interino legitimado nas ruas e pelo Ocidente, mas já disse que se considera o verdadeiro Presidente da Ucrânia e promete regressar.
A separação da Crimeia é um duro golpe às aspirações de legitimação do novo poder ucraniano e ameaça alastrar a outras zonas do país onde a populaçao pró-russa é igualmente significativa.