Vladimir Putin demite mais dois vice-ministros da Defesa

O Presidente russo prosseguiu com a remodelação do seu ministério da Defesa. Uma semana depois de ter demitido o anterior ministro da pasta, Anatoly Serdyukov, o Kremlin anunciou a demissão da vice-ministra Yelena Kozlova, até agora responsável pelas finanças e de Dmitry Chushkin, encarregado da pasta de tecnologia de comunicação. Ambos foram substituídos por elementos da confiança do novo ministro da Defesa, o general Sergei Shoigu, nomeado dia 9 de novembro.

Graça Andrade Ramos, RTP /
O ministro russo da Defesa Sergei Shoigu (ao centro) com o também recém-nomeado Chefe Estado Maior das Forças Armadas da Rússia, Coronel-General Valery Gerasimov (à esquerda), no dia nove de novembro no Kremlin Alexey Druginyn/Ria Novosti/Kramlin/EPA

"Com esta ordem, o Presidente libertou os vice-ministros da Defesa dos seus cargos", considerou um comunicado publicado pelo Kremlin na sua página na internet.

A remodelação resulta da investigação a práticas fraudulentas, conduzida pelo Comité de Investigação da Rússia, um organismo que responde apenas a Putin. O Presidente, reeleito para um terceiro mandato, pretende reforçar assim o seu domínio, ao mesmo tempo que afirma lutar contra a corrupção endémica nas forças armadas russas e na indústria de armamento do país, dois setores que movimentam milhões de milhões de rublos.

Ruslan Tsalikov (à esquerda) e Yuri Borisov (à direita) são os dois novos vice-ministros russos da Defesa

Os dois novos vice-ministros são homens de confiança de Shoigu.

Ruslan Tsalikov trabalhou com o novo ministro da Defesa no ministério das Emergências da capital russa e acompanhou-o quando Shoigu foi nomeado governador da Provincia de Moscovo. Tinha sido indicado como seu substituto temporário quando Shoigu foi nomeado ministro da Defesa na semana passada. O general Sergei Shoigu e o seu gabinete têm por missão a reforma profunda das forças armadas russas e a administração de cerca de 568.780 milhões de euros na aquisição de novo armamento para os militares, até ao fim da década, excluindo o mais possível a compra de armas estrangeiras.

Yuri Borisov era até agora vice-presidente no Conselho de Administração de uma empresa de Defesa.

A investigação da fraude na empresa controlada pelo Ministério da Defesa russo Oboronservis, que implicou a demissão de Serdyukov no dia seis de novembro, foi iniciada por suspeita de favorecimento na venda de ações e de terrenos e propriedades, com perdas para o Estado de mais de 78 milhões de euros.

As suspeitas da fraude seriam conhecidas desde 2008 mas o escândalo terá começado recentemente a denegrir a imagem presidencial.

O ex-ministro da Defesa, o civil Anatoly Serdyukov, ainda não está sob investigação mas poderá vir a ser implicado na sabotagem de compras de Defesa e em problemas com a eliminação de munições que, especialmente nos últimos anos, têm resultando em explosões em vários armazéns militares e na morte de pessoas.
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