A presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, vai esta quinta-feira tentar assegurar um segundo mandato à frente do executivo comunitário, necessitando de pelo menos 361 votos a favor dos eurodeputados para o conseguir.
Após reuniões nos últimos dias com várias bancadas do Parlamento Europeu (como Socialistas, Liberais, Verdes e Conservadores) para apelar ao aval destas famílias políticas, a candidata do Partido Popular Europeu (PPE) prometeu no discurso aos eurodeputados não aceitar a "polarização extrema das sociedades" europeias e que "demagogos e extremistas destruam" a União Europeia (UE). Na sessão plenária da assembleia europeia, na cidade francesa de Estrasburgo, tenta convencer os eurodeputados com propostas para uma eventual reeleição.
"Estou convencida de que a versão da Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial, com todas as suas imperfeições e desigualdades, continua a ser a melhor versão da história. Nunca ficarei a assistir ao seu desmembramento por dentro ou por fora, nunca permitirei que a polarização extrema das nossas sociedades seja aceite, nunca aceitarei que os demagogos e os extremistas destruam o nosso modo de vida europeu e, estou aqui hoje, pronta para liderar a luta com todas as forças democráticas desta casa [assembleia europeia]", afirmou Ursula von der Leyen.
Intervindo perante os eurodeputados na sessão plenária, na cidade francesa de Estrasburgo, a líder do executivo comunitário, indicou estar "profundamente preocupada" com a "clara tentativa de dividir e polarizar as sociedades", que causam "ansiedade e incerteza" aos cidadãos.
Depois deste que é o seu último apelo ao voto dos eurodeputados para um novo mandato de cinco anos, segue-se um debate com os parlamentares, que termina com a votação secreta em papel, a partir das 13h00 (hora local, menos uma hora em Lisboa), e o anúncio posterior dos resultados.
É o Parlamento Europeu que tem de aprovar, após a proposta do Conselho Europeu feita no final de junho, o novo presidente da Comissão por maioria absoluta (metade de todos os eurodeputados mais um), com Ursula von der Leyen a ter de obter luz verde de pelo menos 361 parlamentares (entre 720).
Na sequência do acordo partidário entre centro-direita, socialistas e liberais sobre os cargos europeus de topo, o presidente eleito do Conselho Europeu (escolhido nesse pacote), o ex-primeiro-ministro português António Costa, esteve na terça-feira em Estrasburgo para manifestar apoio a Von der Leyen.
Enquanto primeira mulher na presidência da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen foi aprovada pelo Parlamento Europeu em julho de 2019 com 383 votos a favor, 327 contra e 22 abstenções, numa votação renhida. O mandato começou em dezembro de 2019.
Reeleição complicada
Com uma maior fragmentação partidária no Parlamento Europeu, a recondução no cargo ainda não é garantida e têm sido, aliás, vários os parlamentares a ameaçar não apoiar a alemã. Consideram que Ursula von der Leyen está demasiado ligada à ala conservadora ou criticando a sua postura em relação à externalização das políticas de migração da União Europeia (UE) e a certos recuos nas metas climáticas.
Durante a sua campanha eleitoral, a responsável garantiu que só cooperaria com partidos pró-Ucrânia dada a invasão russa, pró-Europa e pró-projeto europeu e que defendessem o Estado de direito, sem deixar claro se iria colaborar com os Conservadores e Reformistas Europeus - que juntam partidos de direita radical como o polaco Lei e Justiça ou o italiano Irmãos de Itália -, o que poderia pôr em causa o apoio de Socialistas, Liberais e Verdes.
Também não é certo o apoio de todos os eurodeputados do seu partido. Ursula von der Leyen foi a candidata cabeça de lista do PPE, algo que não tinha acontecido nas eleições anteriores.
Novo nome?
Se o nome da responsável não obtiver a maioria exigida, a presidente do Parlamento Europeu, a reeleita Roberta Metsola, terá de convidar o Conselho Europeu a apresentar um outro nome, para uma nova votação. Poderá ser pedido o adiamento da votação.
Na sequência das eleições de junho e das recentes alterações partidárias no Parlamento Europeu, o PPE é o grupo que dispõe de mais lugares (188), seguido pelos Socialistas (136) e pela nova família política de extrema-direita Patriotas pela Europa (84).
De acordo com a mais recente distribuição da assembleia europeia, os Conservadores e Reformistas ocupam 78 assentos, os Liberais um total de 77, sendo seguidos pelos Verdes (53) e pela Esquerda (46).
c/Lusa