“Vou matar-vos a todos” disse o atirador

A polícia norueguesa continua a esquadrinhar as águas que rodeiam a pequena ilha de Utoya, à procura de mais vítimas do massacre de sexta-feira. Até ao momento, os mortos confirmados na ilha são 85, mas há ainda quatro ou cinco pessoas dadas como desaparecidas. Uma mortandade a que se somam as sete vítimas mortais da explosão ocorrida, horas antes, no centro de Oslo.

RTP /
Imagem obtida a partir de um helicóptero mostra o suspeito, Anders Behring Breivik, armado, perto de alguns corpos na margem da ilha de Utoya. Marius Arnesen, EPA

Alguns sobreviventes contaram aos jornalistas como tudo começou. Adrian Pracon de 21 anos, trabalhava no gabinete de informações da ilha, onde decorria o acampamento da juventude trabalhista.

“Fomos informados por rádio de que tinha havido um atentado à Bomba em Oslo e por isso reunimos as cerca de 700 pessoas que se encontravam na ilha para as pôr ao corrente da notícia”, conta esta testemunha “Minutos depois recebemos um telefonema a dizer que tinha chegado ao molhe um polícia que se queria avistar connosco”.

O homem vestia um uniforme de polícia e identificou-se como tal, alegando estar ali para realizar um controle de segurança.

"Não há nada a temer"Por essa altura já os organizadores do acampamento tinham reunido as centenas de participantes para os pôr ao corrente da situação e foi então quando o suposto agente “pediu a palavra” .

“Aproximem-se, tenho informação importante, não há nada a temer” foram as palavras proferidas pelo atacante antes de abrir fogo, relata Elise de 15 anos.

Adrian Pracon, que se tinha entretanto deslocado à cafetaria do acampamento para ir buscar provisões, relata que começou a ouvir tiros e viu pessoas em fuga. Muitas foram atingidas pelas costas enquanto corriam e algumas delas caíram mortas mesmo à sua frente.

Como um caçadorBjorn Jarle Robert-Larsen, do partido trabalhista, diz que quando  o homem começou aos tiros, muitos jovens tentaram escapar a nado ou “esconderam-se em grutas e na floresta ou treparam a árvores…e ele foi atrás deles” explicou.

Muitos dos que tinham tentado fugir a nado foram forçados a voltar para trás pois a água estava gelada e o peso das roupas e do calçado aliado à extensão a percorrer tornava a travessia impossível. O assassino deslocou-se até à margem e abriu fogo sobre eles, ainda na água ou já em terra.

Durante quase hora e meia, o atirador percorreu a pequena ilha metodicamente localizando um a um os seus alvos e abatendo-os como de caça se tratasse.

"Vou matar-vos a todos"O homem aparentava grande segurança e os sobreviventes dizem que estava calmo e controlado como quem sabe perfeitamente o que está a fazer. Nunca correu e alvejou algumas das suas vítimas por mais de uma vez para garantir que estavam mortas. De caminho gritava aos jovens que “iriam morrer todos”.

Adrian Pracon e outros acabaram por escapar com vida, fingindo-se de mortos e escondendo-se entre os cadáveres.

“Quando ele se aproximou eu podia ouvi-lo a respirar e o som das botas dele e até o calor do cano da arma (…) mas não me movi e foi isso que me salvou a vida” conta Pracon, que foi ferido por uma bala nas costas e está no hospital.

Chegada dos verdadeiros policias provoca pânicoQuando a verdadeira policia finalmente chegou à ilha, muitos sobreviventes reagiram com pânico à vista dos uniformes, pois pensavam tratar-se de mais atacantes vindos para os matar.

Ao ser detido o atirador não apresentou resistência. Anders Behring Breivik, de 32 anos e nacionalidade norueguesa, está a ser interrogado pelas autoridades, que o consideram também autor do atentado bombista ocorrido horas antes em Oslo. Já reconheceu ser autor do tiroteio mas as suas motivações exatas  permanecem por desvendar.

A policia está agora a investigar se existiu ou não um segundo atirador, como parecem indicar os testemunhos de alguns dos sobreviventes.

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