Cultura
Warner Bros. volta a rejeitar acordo com Paramount e reafirma preferência pela Netflix
O Conselho de Administração do estúdio de Hollywood tomou a decisão “por unanimidade”, defendendo que a mais recente proposta da Paramount se mantém “inferior” ao acordo de fusão que estão a negociar com a Netflix. A efetiva aquisição da WB por parte da Netflix garante à empresa os direitos do catálogo de filmes do estúdio, bem como do serviço de streaming da HBO Max.
A Warner Bros. Discovery anunciou esta quarta-feira a rejeição “por unanimidade” da mais recente oferta apresentada pela Paramount Skydance, considerando-a menos vantajosa e financeiramente mais arriscada do que o acordo de fusão atualmente em negociação com a Netflix.
Em comunicado, o presidente do Conselho de Administração da Warner Bros., Samuel Piazza Jr, afirmou que a nova proposta da Paramount “continuava a ser inferior em vários pontos-chaves” quando comparada com a da Netflix, sobretudo no que diz respeito à estrutura financeira e à probabilidade de concretização do negócio.
A Paramount não aumentou o valor da oferta de compra, que se mantém nos 108,4 mil milhões de dólares (93 milhões de euros), mas alterou alguns dos parâmetros do negócio. Entre eles, a garantia pessoal de 40,4 mil milhões de dólares do bilionário Larry Ellison, pai do presidente da Paramount.
Esta alteração surge após a “falta de qualquer compromisso da família Ellison” ter sido apontada pelo estúdio de Hollywood como um dos grandes motivos para rejeição daquela que foi a primeira proposta pública da Paramount, apresentada a 8 de dezembro.
O magnata Larry Ellison é um aliado do presidente norte-americano, Donald Trump, que tem vindo a garantir o seu envolvimento em qualquer decisão futura sobre a fusão.
Três dias antes, havia sido divulgado que a WB tinha chegado a um acordo com a Netflix para aquisição da empresa por parte da plataforma de streaming. O negócio, avaliado em cerca de 82,7 mil milhões de dólares (71 milhões de euros), prevê a integração do vasto catálogo de filmes e séries da Warner Bros, bem como do serviço de streaming HBO Max.
Já a proposta da Paramount inclui a aquisição de canais por cabo como a CNN, TNT, TBS e Discovery.
Conhecida por franchises como Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Batman e o universo DC ou séries como Game of Thrones e Friends, a Warner Bros tinha anunciado a sua intenção em avançar para uma venda parcial ou reestruturação de partes da empresa em outubro do ano passado.
Apesar de a Paramount Skydance ter entrado para a corrida pela Warner Bros. com um valor superior, o Conselho de Administração da empresa afirmou, a 17 de dezembro, a sua preferência pela Netflix.
Segundo a administração, a Paramount teria de assumir uma dívida de aproximadamente 54 mil milhões de dólares (mais de 46 milhões de euros) para concluir a operação, somando ainda os cerca de 33 mil milhões de dólares (28 milhões de euros) de dívida já existentes no estúdio de Hollywood.
Deste modo, a empresa manteve a posição assumida no mês passado e, embora reconheça algumas melhorias na proposta revista – como a garantia pessoal de Larry Ellison ou o aumento da taxa de rescisão reversa para 5,8 mil milhões de dólares – a Warner Bros. considerou que essas alterações não resolvem as fragilidades estruturais da oferta que julgam não apresentar garantias financeiras.
Entre os principais pontos críticos, a Warner destaca ainda o facto de a Paramount não se comprometer a cobrir a taxa de rescisão de 2,8 mil milhões de dólares devida à Netflix caso o acordo atual seja abandonado, bem como a imposição de cláusulas que limitariam a capacidade de refinanciamento da dívida da empresa.
Para acompanhar o processo, o Conselho criou um comité ad hoc composto por quatro membros, responsável por supervisionar as negociações com a Netflix e a Paramount, embora a decisão final continue a caber ao Conselho de Administração na sua totalidade.
Na eventualidade da aquisição do estúdio de Hollywood pela Netflix se concretizar, esta será a maior operação de consolidação no setor do entretenimento desde a compra da Fox pela Disney, por 71 mil milhões de dólares (60,96 mil milhões de euros), em 2019.
A transação deverá ser concluída nos próximos 12 a 18 meses, após a Warner Bros. concluir a separação das suas operações de cabo.