Zelensky no Reino Unido. "Ucrânia e aliados formaram verdadeira coligação"

por Cristina Sambado - RTP
EPA

O presidente ucraniano deslocou-se esta quarta-feira ao Reino Unido, o que aconteceu pela primeira vez desde a invasão russa, a 24 de fevereiro de 2022. Volodymyr Zelensky reuniu-se com o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, discursou no Parlamento, em Westminster, e foi recebido em audiência pelo rei Carlos III, no Palácio de Buckingham.

Na agenda de Zelensky em Inglaterra, foi também incluída a visita a uma base onde os militares ucranianos estão a ser treinados.

O presidente ucraniano chegou ao Reino Unido a bordo de um avião da Força Aérea britânica e foi recebido no aeroporto pelo primeiro-ministro.
A visita de Zelensky a Londres acontece na véspera de o presidente ucraniano marcar presença em Bruxelas, onde vai participar na reunião do Conselho Europeu.

Esta é a segunda deslocação ao estrangeiro do presidente ucraniano. A primeira foi a Washington, a 21 de dezembro, onde foi recebido na Casa Branca por Joe Biden e falou perante o Congresso dos Estados Unidos.

A RTP captou o momento da chegada do presidente ucraniano a Downing Street.
Rosário Salgueiro e Tiago Passos, correspondentes da RTP em Londres

No interior da residência oficial do primeiro-ministro britânico, o presidente ucraniano agradeceu a Londres o apoio ao seu país “desde os primeiros dias da invasão” e a ajuda aos ucranianos que procuraram refúgio no Reino Unido.

“Muito obrigado, estamos orgulhosos, realmente temos boas relações”, acrescentou Zelensky.

Depois do encontro no Número 10 de Downing Street, os dois líderes deslocaram-se para o Parlamento, onde Sunak afirmou que esta visita do presidente ucraniano é “uma prova da amizade inquebrável” entre os dois países e acrescentou que “é importante uma vitória militar ainda este ano no campo de batalha”.

Também em Westminster, Zelensky lembrou que "Londres tem estado com Kiev desde o primeiro dia, desde os primeiros segundos e minutos da guerra”, e que estendeu "uma mão amiga quando o mundo ainda não tinha chegado a compreender como reagir".

Zelensky referiu em particular o antigo primeiro-ministro Boris Johnson, por ter convencido aliados a ajudar a Ucrânia “quando parecia absolutamente difícil”, e aos deputados em geral pela "coragem e caráter na altura, forte carácter britânico”.

O presidente ucraniano agradeceu ainda ao Reino Unido o apoio militar e, em inglês, afirmou que falava em “nome de todos os pais e mães que esperam os filhos de volta para casa”.


Zelensky recordou ainda que a última vez que tinha estado em Westminster foi no outono de 2020, frisando que sentiu a forma como o Reino Unido liderou na II Guerra Mundial.
“A força leva-nos através das maiores dificuldades para nos compensar pela vitória”.

Segundo o presidente ucraniano, “a Ucrânia e os aliados formaram uma verdadeira coligação e já alcançaram resultados notáveis”. Zelensky pediu ainda ao Reino Unido que continue a impor sanções à Rússia, para privar Moscovo da capacidade de financiar a guerra na Ucrânia.


O líder ucraniano agradeceu também ao Reino Unido o fornecimento de tanques de batalha e, dirigindo-se a Rishi Sunak, falou em “poderoso passo defensivo”. Mísseis de longo alcance que “vão permitir fazer com o inimigo se retire completamente”.

Em relação ao encontro com Carlos III, Zelensky perspetivou “um momento verdadeiramente especial. Na Grã-Bretanha, o rei é o piloto da Força Aérea. Hoje, na Ucrânia, todos os pilotos da Força Aérea são reis”.

O presidente ofereceu ao presidente do Parlamento o capacete de um piloto de caça ucraniano no qual estava escrito: ”Temos liberdade, dêem-nos asas para protegê-la”.

“O capacete pertencia a um dos ases mais bem-sucedidos e um dos nossos reis”, acrescentou.

No Parlamento britânico, Zelensky voltou a apelar ao envio de aviões de caça. “Aviões de combate para a Ucrânia. Asas para a liberdade”.Volodymyr Zelensky encontra-se na noite desta quarta-feira, em Paris, com o presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Olaf Scholz.


“Vou deixar o Parlamento hoje agradecendo atempadamente a todos pelos poderosos aviões ingleses”, disse.


Apesar de os aliados ocidentais terem aumentado o fornecimento de armamento pesado, como mísseis de longo alcance para a Ucrânia, nos últimos meses, têm-se recusado a fornecer caças mais recentes.

Zelensky terminou o discurso com “Deus abençoe o Rei”, numa referência a Carlos III e Slava Ukraini, uma das frases com que termina quase sempre os seus discursos, que se traduz como “Glória para a Ucrânia”.
Mais sanções do Reino Unido a Mosvovo

Esta quarta-feira o Reino Unido anunciou novas sanções a militares russos e às elites de Moscovo: 15 relacionadas com seis entidades que fornecem equipamentos militares, como drones, para a invasão russa da Ucrânia.

"As sanções britânicas visam também oito indivíduos e uma entidade conectada a redes financeiras que ajudam “a manter a riqueza e o poder entre elites do Kremlin", afirmou o governo de Sunak em comunicado.

Entre as empresas sancionadas estão a CST, fabricante de drones russos que têm sido utilizados para destruir veículos de combate ucranianos, a RT-Komplekt, que produz peças para helicópteros utilizados pela Rússia, a Oboronlogistics, que organiza o transporte e a entrega de equipamento militar russo, ou a Topaz, uma empresa de software envolvida na aviação militar. 

Na lista de sanções estão também nomeadas várias pessoas ligadas a Putin "através de redes financeiras opacas", nomeadamente empresários e funcionários públicos como Boris Titov e o filho Pavel, Nikolay Egorov, Sergey Rudnov (proprietário do jornal pró-Kremlin Regum), Svetlana Krivonogikh, Viktor Myachin, Alexey Repik e Evgeny Shkolov.

"Estas novas sanções aceleram a pressão económica sobre Putin, enfraquecendo a sua máquina de guerra para ajudar a Ucrânia a prevalecer. Estou determinado, de acordo com as nossas leis, que a Rússia não tenha acesso aos bens que congelámos até ao fim, de uma vez por todas, das ameaças à soberania e integridade territorial da Ucrânia", afirmou o ministro das Finanças, James Cleverly.

O Reino Unido já sancionou mais de 1.300 indivíduos e entidades desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, bem como sanções económicas em coordenação com parceiros internacionais.


Estas medidas pediram o comércio total ou parcial de mais de 20 mil milhões de libras (22.500 milhões de euros), reduzindo em 98 por cento as exportações de maquinaria e equipamento de transporte, indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros. 

c/ agências
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