As fontes de informação são um elemento central em qualquer peça jornalística. Explicam factos, atribuem credibilidade ao que é difundido, transmitem confiança, contribuindo para um jornalismo rigoroso, transparente e imparcial. No caso da polémica que se instalou nos exames nacionais, há uma fonte insubstituível: o Ministério da Educação. O ministro deve apresentar rapidamente uma explicação sobre o que se passou, esclarecer as causas das falhas e anunciar um plano devidamente estruturado para minimizar o impacto de um processo de digitalização de provas que correu mal.
Um titular de um cargo público, um especialista, um cidadão que testemunha um acontecimento ou um documento podem constituir importantes fontes de informação. O valor de cada uma depende do conhecimento que possui sobre o que é notícia, da sua autoridade na matéria e da sua credibilidade pública. Quando falamos dos exames, os testemunhos dos professores envolvidos na correção das provas são fundamentais. São esses relatos que permitem identificar falhas de um sistema que está longe de funcionar (bem). Percorrendo vários média noticiosos, encontramos muitas citações que apontam para isso. Ora, perante este cenário, há duas perguntas que se impõem: quem foi o responsável pelo desenvolvimento e funcionamento da plataforma através da qual decorre a avaliação digital das provas e que explicações o Ministério da Educação dá perante disfuncionalidades tão significativas e com impacto em milhares de alunos e nas suas famílias?
No sábado, o “Público” tinha a seguinte manchete: “digitalização dos exames custou mais de sete milhões de euros em três anos”. Na peça, a jornalista Andreia Sanches escrevia que recorreu ao Portal Base, que centraliza informação sobre contratos públicos, para identificar as entidades com quem o Ministério da Educação celebrou relações contratuais. Recuou até 2023 e identificou várias empresas, algumas com contratos de valores muito expressivos. Para saber quem tinha uma intervenção neste processo, foi inquirindo os respetivos responsáveis. Uns asseguraram nada ter a ver com esse trabalho, outros invocaram “o estrito respeito pelos compromissos de confidencialidade assumidos”.
Poder-se-á discutir até que ponto uma empresa privada terá legitimidade para recusar informação de interesse público, mas essa margem de discricionariedade não pode ser concedida ao Ministério da Educação que, enquanto responsável máximo do sistema educativo, tem o dever de prestar todos os esclarecimentos. Um comunicado é insuficiente. Precisamos que o ministro fale formalmente desta questão. Quanto mais tempo passar, mais se adensa a polémica e isso é péssimo para todos. Para além do futuro de muitos alunos, está em causa a confiança no sistema de acesso ao Ensino Superior.