Dana White, diretor do UFC (Ultimate Fighting Championship), a poderosíssima organização de artes marciais, cedo percebeu que a modalidade não era apenas um desporto, mas um produto televisivo: ritmo rápido, confrontos pessoais, violência muito visual, narrativa simples. O problema maior era que ninguém queria transmitir aquilo.
“Foi o nosso cavalo de Troia entrar na televisão”, diz esta semana à Time, uma edição que o coloca em capa sob o título “O promotor”, expressão que não remete apenas para o organizador de combates, mas para alguém que promove uma certa ideia de masculinidade que progressivamente se enraíza na sociedade global.
A viragem aconteceu em 2005, quando “The Ultimate Fighter” estreou na Spike TV e se tornou um inesperado sucesso. Através de um formato de entretenimento, a televisão normalizava assim a violência do octógono para um público alargado, dando contexto emocional à violência, transformando um combate duro numa narrativa atrativa. E o caminho lá se foi fazendo.
Em agosto de 2025, a Paramount comprou os direitos de transmissão do UFC por 7,7 biliões de dólares ao longo de sete anos, eliminando o modelo de “pay-per-view” e garantindo desse modo que as lutas marciais fossem transmitidas pela CBS, uma subsidiária da Paramount. E tudo isto rende muito dinheiro: no primeiro trimestre de 2026 as receitas do UFC atingiram 401 milhões de dólares, um aumento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior.