Seguindo dados do Digital News Report 2025, percebemos que grande parte dos jovens está todos os dias, durante várias horas, nas plataformas digitais, absorvendo, partilhando e reagindo a conteúdos sem fim, sobretudo nas redes sociais. No entanto, há jovens que não seguem esse guião. Como nos conta o "Público", há adolescentes que crescem longe do TikTok e do Instagram, norteando o seu quotidiano por estilos de vida que se distanciam de uma validação algorítmica.
E nós perguntamos: como é possível? A reportagem oferece pistas: essa opção começa a ser construída em casa, no desenho que a família esboça para um quotidiano que se preenche com a escola e com as atividades extracurriculares, como a música ou o desporto. Os jovens citados na peça jornalística têm o seu dia ocupado. São "superartistas" ou "superdesportistas" e o telemóvel para eles constitui apenas um meio para telefonar e mandar mensagens. Somente quando é mesmo necessário.
A escola que frequentam também proporciona aprendizagens que os incentivam a estar desligados, criando, por exemplo, formações que os ajudam a gerir o uso das tecnologias e a compreender o impacto das redes no cérebro. Uma espécie de "detox digital" que pede de empréstimo ensinamentos às neurociências para levar os jovens a valorizar o tempo de concentração, a criatividade e a interação em modo presencial.
Outra dimensão que importa também ponderar é o negócio que estas plataformas sustentam. No tempo que dedicam a um "scroll infinito", os jovens alimentam algoritmos estruturados para captar a atenção e, consequentemente, gerar receitas, transformando cada like, cada vídeo e cada publicação numa mercadoria de alto valor. Assim, o verdadeiro produto dessas redes não são os conteúdos, mas os utilizadores, nomeadamente o tempo que dedicam a esses consumos. Desligando-se desta engrenagem, os jovens recusam fazer parte de uma economia da atenção que os coloca dentro de bolhas que moldam um quotidiano ajustado a um real que se desenha à medida de redes.
opinião
Felisbela Lopes
Jovens que preferem estar longe das redes sociais
Num país com forte consumo de redes sociais, parece estranho haver quem recuse de modo determinado esses consumos, sobretudo quando são jovens. Mas existem muitos casos assim. A reportagem assinada por Catarina Pinho e José Carvalheiro, na edição de 21 de março de 2026 do jornal "Público", documenta exemplos bem significativos.