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O novo Olimpo tecnológico

O novo Olimpo tecnológico

O surgimento do modelo de IA da empresa Anthropic, designado Claude Mythos, suscitou, nos últimos dias, um amplo debate, intensificando a pressão em torno da necessidade de uma regulação mais rigorosa. Este novo sistema é considerado de tal forma avançado que levanta sérias preocupações quanto à segurança e proteção de infraestruturas críticas, podendo facilitar crimes em larga escala e potenciar riscos biológicos de dimensão global. O BCE já convocou uma reunião de alto nível com responsáveis de risco dos bancos da Zona Euro, com o objetivo de analisar implicações para a cibersegurança e para a estabilidade do sistema financeiro.

O tema já não é apenas tecnológico. É político, económico e, acima de tudo, civilizacional. Quem olhar ao longe para a capa desta semana da revista “The Economist” vê uma espécie de Olimpo onde se erguem cinco esculturas que representam Dario Amodei (CEO da Anthropic), Demis Hassabis (CEO da Google DeepMind), Sam Altman (CEO da OpenAI), Mark Zuckerberg (CEO da Meta) e Elon Musk (fundador da xAI). Ali está plasmada a entrada numa nova era em que a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta para assumir um poder titânico. E a pergunta que sobressai sob as suas imagens é terrível: com a inteligência artificial, podem estes cinco homens ser confiáveis?

Percorrendo os debates que por estes dias se desenvolvem sobre este tema, percebemos que o modelo Claude Mythos se assume como um ponto de viragem. E isso acontece, porque o seu poder é demasiado perigoso devido à sua capacidade em ultrapassar a capacidade humana de supervisão segura pela complexidade que encerra e pela escala que atinge. Torna-se evidente que a concorrência livre que os EUA sempre defenderam na ânsia de acelerar a inovação e criar vantagem estratégica face à China constitui um perigo. Precisamos de regulação e, consequentemente, de cooperação internacional neste domínio. E isso não se revela tarefa simples.

Hoje, paralelamente a tematizações políticas, geoestratégicas ou económicas, é necessário manter no espaço público (mediático), com igual ou superior intensidade, o tema da tecnologia. Aquilo que até há pouco tempo se constituía como ficção científica tornou-se uma realidade que tanto potencia novos e auspiciosos mundos como revela uma capacidade destruidora que nos assusta. Perante este novo modelo da Anthropic, perguntamo-nos se o mundo conseguirá controlar o mito que ele próprio gerou...

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