Quando a política cresce em disputas algorítmicas

Quando a política cresce em disputas algorítmicas

Rupert Lowe, ex-deputado do Reform UK, ameaça desencadear uma rebelião na extrema-direita britânica através do Restore Britain, um movimento que se transformou no início deste ano num partido político que fragmenta os apoiantes do truculento Nigel Farage.

Apoiado por Elon Musk, Lowe tem crescido através da polarização de temas, que são cuidadosamente disseminados nas redes sociais.

Por estes dias, as atenções centram-se no círculo eleitoral de Makerfield, onde se disputa um lugar para a Câmara dos Comuns. Para Andy Burnham, a vitória não só o colocaria no Parlamento britânico como também poderia abrir caminho para disputar a liderança do Partido Trabalhista. 

Não é tarefa fácil num círculo onde Reform UK tem vindo a capitalizar uma parte significativa do eleitorado, agora potencialmente fragmentado com o aparecimento do Restore Britain, que, segundo as sondagens, soma sete por cento das intenções de voto, uma percentagem que poderá ser suficiente para impedir Farage de proclamar vitória e, em contrapartida, criar condições favoráveis a Burnham, que se apresenta como uma alternativa mais institucional e mais estável.

Apoiado por personalidades influentes do universo digital, Lowe não disputa apenas votos, mas sobretudo visibilidade num ambiente onde a política se confunde cada vez mais com dinâmica algorítmica. 

Percorrendo o site (que convida de imediato a uma inscrição no partido) ou as contas nas redes sociais, Restore Britain privilegia mensagens curtas, assertivas e quase sempre polarizadoras. A imigração, a insegurança, a defesa da identidade e o ataque aos jornalistas são temas recorrentes, numa estratégia que visa alcançar votantes muito para lá da base política inicial.

Os média tradicionais olham para esse crescimento súbito com alguma reserva. Esta semana, The Week questionava se “a ascensão de Restore Britain vai arruinar Nigel Farage e o Reform UK”. The Telegraph e The Spectator repetiam a mesma dúvida, desenvolvendo textos em forma noticiosa e de opinião. 

Por enquanto, jornalistas e comentadores não preveem mudanças súbitas, mas reconhecem o risco de uma progressiva fragmentação da extrema-direita, cuja evolução é tudo menos linear num sistema cada vez mais moldado pela velocidade das redes sociais e, consequentemente, por voláteis ondas de atenção.

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