Quando o Jornalismo avisa

Quando o Jornalismo avisa

Começa hoje uma nova fase de prontidão na resposta aos incêndios. Pela frente, há previsão de temperaturas elevadas e, no centro do país, uma das regiões mais afetadas pela tempestade Kristin, permanece por remover uma quantidade significativa de material lenhoso. Os média noticiosos enchem-se de notícias de alerta para um verão que se receia vir a ser particularmente quente e exigente.

Os números do sistema de combate aos incêndios são conhecidos: a partir de hoje, haverá quatro mil elementos e mil veículos a mais no dispositivo de emergência. 

Globalmente, há quase 10 mil elementos alocados ao combate a incêndios, aos quais acrescem 3.500 que podem ser mobilizados a qualquer momento. Há ainda dois mil veículos terrestres que podem ser aumentados para quase três mil, 78 aeronaves e 27 máquinas de rasto. Na verdade, há muitos meios que respondem a uma estratégia que é mais de combate do que de prevenção. No entanto, é aí que poderá estar o principal problema.

Há uma semana, o “Jornal de Notícias” publicava uma reportagem com o título “ainda há milhares de árvores caídas em terrenos que não conhecem os donos”. Nesse trabalho, citava-se o vereador da Proteção Civil do município de Leiria que deixava este alerta: “há mais de dez mil hectares com madeira caída no chão. É impossível conseguir retirá-la toda até ao final do ano, quanto mais até ao início do verão”. No sábado, numa peça publicada no “Público” com o título “Leiria corre contra o relógio para limpar a floresta antes do verão”, a população falava do perigo que constitui hoje o bloqueio de muitos caminhos devido a existirem muitas árvores caídas no chão e das dificuldades provocadas pela escassez de mão de obra para proceder a trabalhos de limpeza urgentes.

Neste tempo, importa realçar o papel do Jornalismo que se torna ainda mais central em contextos de crescente exposição a fenómenos extremos. A identificarem riscos, ao chamarem a atenção para os problemas e ao pressionarem vários responsáveis para agir, os jornalistas estão a promover uma cultura de prevenção e, através disso, a cumprir a sua função de responsabilidade social. Se o verão vier a confirmar todos estes receios, ninguém poderá dizer que não foi avisado.

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