Um jornal ou um site noticioso, tal como um noticiário de rádio ou de televisão, coloca-nos perante o trabalho de uma redação que cruza dados, confronta fontes e toma decisões por vezes difíceis para distinguir o essencial do acessório, o credível do duvidoso. Uma revista de imprensa ajuda a tornar esse esforço observável, permitindo ler a informação de forma crítica e reflexiva.
Hoje não é fácil promover um jornalismo que se quer forte para exercer o seu papel de contrapoder, financeiramente sustentável para conseguir ir até ao fim da rua e até ao fim do mundo e suficientemente sólido para resistir a pressões diversas. Esse jornalismo está hoje sob desafios de vária ordem: proliferação de desordens informativas, fragilidade dos atuais modelos de negócio, precariedade laboral, fragmentação de audiências, mudanças de consumos informativos e crescente plataformização dos conteúdos.
Esse jornalismo em instabilidade crescente conta sobretudo com uma defesa: a dos cidadãos que, através dos conteúdos que valorizam, partilham e compram, contribuem para a sobrevivência de um jornalismo de qualidade e, por extensão, para a revitalidade de um espaço público comprometido com o bem coletivo. Por isso, é importante perceber que as nossas opções não são neutras. Eleger um conteúdo jornalístico em vez de mergulhar em caudais descontrolados que jorram pelas redes sociais é participar ativamente numa sociedade mais informada, mais crítica e mais democrática.
É precisamente aqui que uma revista de imprensa ganha particular relevância. Enquanto prática mediática, esse espaço fomenta uma literacia mediática que importa reforçar. Ao revisitar, contextualizar e discutir conteúdos jornalísticos, promove uma leitura atenta e reflexiva de uma informação construída por critérios jornalísticos que procuram relatar de modo fidedigno aquilo que acontece. Constitui, desse modo, um verdadeiro exercício de cidadania informada que incentiva a desenvolver um pensamento crítico sobra a atualidade em notícia. Num ambiente saturado de conteúdos, onde a rapidez se sobrepõe muitas vezes à compreensão, uma revista de imprensa proporciona tempo para pensar. E esse tempo de análise é tão importante quanto as notícias que consumimos.
opinião
Felisbela Lopes
Revista de imprensa, um exercício de cidadania informada
Num tempo marcado pela abundância de informação e pela erosão da confiança nas notícias, o jornalismo é chamado a reafirmar o seu inestimável valor público, sustentado no rigor da seleção noticiosa, na exigência da verificação daquilo que relata e no compromisso firme e inabalável com a verdade dos factos.