E de repente, o que a Luz lhe tirou, a Luz lhe deu. Onze anos depois, no mesmo estádio, o tal José Peseiro – que tinha perdido o campeonato para o Benfica em 2005, a poucos minutos do fim de um clássico – devolveu o FC Porto à vida e renasceu numa carreira que todos, no mínimo, têm a obrigação de respeitar.
Vai Peseiro ainda a tempo de ser campeão? Vai, mas não é muito provável. Certo é que depois daquela vitória na Luz, muito mais do treinador do que do guarda-redes, qualquer adepto do FC Porto já acredita neste treinador para esta e para a próxima época.
A mentira que se repete mil vezes só é verdade para quem quer ficar na ignorância. E se olharmos pelo retrovisor da memória desfazemos depressa o preconceito que muitos alimentaram à volta de Peseiro.
A quantas finais europeias foi o Sporting? Duas. Uma nos anos 60 e outra, com Peseiro, em 2005. Quantos títulos nacionais ganhou o Braga? Dois. Uma taça de Portugal há 50 anos e a Taça da Liga, com Peseiro, há três anos.
O meio cheio ou meio vazio de um copo que se exibe numa análise simplista, às vezes simplória, até pode servir para elucidar os mais desatentos. Por isso vale a pena comparar o que é comparável.
São assim tão grandes as diferenças entre a época de Peseiro no Sporting em 2005 e a de Jesus no Benfica em 2013? Ambos foram à final da Liga Europa, ambos a perderam e ambos «ofereceram» o título ao adversário na penúltima jornada. Nem mais, nem menos.
À matemática da bola falta uma variável, um «pormaior» da equação que decide a vida de um treinador: Luís Filipe Vieira ofereceu seis oportunidades (seis épocas) a Jesus para ganhar e perder títulos. No Sporting de 2005, só houve uma oportunidade. Os adeptos ficaram incontroláveis, caiu o treinador e o presidente foi-se embora.
Serve este raciocínio para provar que Peseiro é melhor do que Jesus? Não. Nem isso, nem o contrário. Peseiro faz parte de um reduzido lote de meia dúzia de treinadores portugueses que, nos últimos 30 anos, discutiram finais europeias. Tal como Jesus, Villas-Boas, Artur Jorge, Domingos. E Mourinho, claro, muito acima de todos os outros.