Scolarazo

A seguir a uma das maiores humilhações do futebol brasileiro é fácil dizer que Scolari é um treinador fraco. Vou repeti-lo mais uma vez. Hoje, até é capaz de ser popular ou populista mas, como o digo há dez anos, acho que estou à vontade. Como treinador é medíocre. Como selecionador tem alguns atributos que não disfarçam tantas carências.

Scolari não tem grande apreço pelo trabalho. Adorava repetir que não precisava de ir aos estádios porque já conhecia os jogadores. A observação de jogadores foi uma das coisas que mais evoluíram no futebol nas últimas décadas.

Scolari recebeu da bandeja de Mourinho uma equipa que tinha ganho a Champions em 2004. Ainda lhe juntou Figo, Rui Costa e Cristiano Ronaldo mas perdeu duas vezes com a Grécia em quinze dias.

Scolari tem pouco respeito pela liberdade de imprensa. Incompatibiliza-se com boa parte dos jornalistas mas conta sempre com algumas proteções a quem demonstra gratidão.

Scolari agrediu um jogador da Sérvia em Alvalade e tentou convencer-nos que "só estava a defender o menino".

Scolari acredita que as canções de Roberto Leal e uma aliança no dedo (simbolizando um casamento com Portugal) valem mais do que transições, posse, blocos altos ou baixos - coisas próprias de "enfadonhos" comentadores televisivos.

Scolari nunca se preocupou com o futuro do futebol português. Até porque um dia haveria de comunicar a saída para o Chelsea a meio de um europeu. Agora, há quem comece a perceber porque é que entre os 21 e os 26 anos há poucos craques convocáveis em Portugal. E a culpa é de quem? Não me digam que é do Paulo Bento?!

Scolari foi campeão do mundo. Foi, claro. Com Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo.

Scolari levou Portugal à final do Euro. Verdade. É a história do copo meio cheio e meio vazio. Teve a melhor equipa de sempre e falhou, volto a repetir, duas vezes com a Grécia.

Scolari não podia perder com a Alemanha? Claro que podia. Era natural. A Alemanha é melhor. Mas perder 7-1 é o corolário lógico para a arrogância de alguém que acredita que basta trabalhar apenas a emoção para ter sorte. E a sorte costuma dar trabalho. Trabalho a sério. Como o de Mourinho. De Low. De Guardiola. De Van Gaal. De Villas-Boas. De Jesus.

Continuo a acreditar naquilo que Abraham Lincoln um dia imortalizou: "Ninguém consegue enganar toda a gente durante todo o tempo".

A propósito de meritocracia, convém não esquecer que o país que mais tem investido no treino, novas abordagens e tecnologias, é a Alemanha. Que até pode perder na final. Mesmo assim, vou continuar a acreditar que, muitas vezes, é mesmo o trabalho que compensa.

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