País
Abate de mais quatro navios da Transtejo avança até ao final do ano apesar da oposição
A juntar-se a quatros navios já abatidos, o Ministério das Infraestruturas revelou que foi autorizado o prolongamento do prazo para outras quatro embarcações, até 31 de dezembro de 2026. O presidente da Transtejo já afirmou publicamente que discorda do processo. Sindicato considera que ficam em causa atuais e futuras operações nas ligações de passageiros no rio Tejo.
Pouco depois de assumir funções, foi na Antena 1 que Rui Rei deu a primeira entrevista como presidente da Transtejo. Logo na altura, em novembro de 2025, mostrou que queria negociar o abate de navios.
"Nós temos algum compromisso de abater navios", afirmava, sendo que a empresa ia ter "algumas conversas com a tutela" porque, "com os compromissos que temos neste momento, temos que ter muita cautela com o que vamos fazer nos próximos meses".
Numa nova entrevista, em março, desta vez ao jornal ECO, afirmou que iam negociar para prolongar o tempo de abate e garantiu que a frota atual (29 barcos) seria suficiente para assegurar no futuro todas as ligações que estão a ser estudadas. Isto se fossem reparados também os barcos encostados e se "não formos obrigados a abater navios", processo do qual discorda e que considerou ter "algum fundamentalismo".
Mas na semana passada o Ministério das Infraestruturas enviou uma resposta escrita a questões do deputado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, em que confirmou que o abate avança até ao final do ano. Portugal em Direto | 14 de maio de 2026
Nesse documento consultado pela RTP Antena 1, o gabinete do ministro Miguel Pinto Luz recordou primeiro que o abate de oito navios convencionais é uma obrigação do financiamento atribuído ao abrigo do POSEUR/Sustentável 2030. É apontada também a "gravidade da situação operacional verificada", no decorrer da entrada dos 10 navios elétricos, e que a administração da Transtejo "expôs de imediato a questão à entidade coordenadora dos referidos fundos".
"Nesse contexto, foi autorizada a prorrogação do prazo para o abate dos restantes quatro navios até 31 de dezembro de 2026", afirmou o ministério, acrescentando que outros quatro já foram abatidos.
Nesta resposta, a tutela reconheceu que "o abate, no curto prazo, das quatro unidades remanescentes poderia comprometer a capacidade operacional da empresa, uma vez que estes navios permanecem críticos para assegurar a continuidade, regularidade e fiabilidade do serviço público de transporte fluvial de passageiros".
Contactado pela rádio pública, o presidente da Transtejo não quis prestar declarações nesta altura. Abate de navios? "Acho prematuro"
No dia em que a ligação Cacilhas - Cais do Sodré passou a ter barcos elétricos, na entrevista à Antena 1, Rui Rei sublinhou a importância de recuperar navios da frota tradicional. Esse seria um passo essencial para estabilizar a frota e a oferta, apontando para um reforço de ligações na Trafaria e no Barreiro.
Desde então, tem vindo a falar de novas rotas e no estudo de novos destinos: Parque das Nações, Algés, Alhos Vedros, Moita e Alcochete. Para junho está previsto o arranque de uma travessia que abrange as estações fluviais do Seixal, do Barreiro e do Cais do Sodré, em Lisboa - este serviço estava inicialmente planeado para março.
No entanto, a decisão de abater quatro navios até ao final põe em causa o presidente e o futuro da empresa, defende Carlos Costa, dirigente do Sindicato dos Transportes Fluviais, Costeiros e da Marinha Mercante, da Fectrans.
"Ficaria completamente comprometido, tanto nas novas intenções do Conselho de Administração, como na própria operacionalidade do dia-a-dia", diz.
"Possivelmente poderá vir a acontecer um dia, quando chegar a nova renovação", defende, mas até lá "acho que é um bocado prematuro". Sublinha ainda que o abate dos quatro navios anteriores era justificado por as reparações serem demasiado caras.
"Nós temos algum compromisso de abater navios", afirmava, sendo que a empresa ia ter "algumas conversas com a tutela" porque, "com os compromissos que temos neste momento, temos que ter muita cautela com o que vamos fazer nos próximos meses".
Numa nova entrevista, em março, desta vez ao jornal ECO, afirmou que iam negociar para prolongar o tempo de abate e garantiu que a frota atual (29 barcos) seria suficiente para assegurar no futuro todas as ligações que estão a ser estudadas. Isto se fossem reparados também os barcos encostados e se "não formos obrigados a abater navios", processo do qual discorda e que considerou ter "algum fundamentalismo".
Mas na semana passada o Ministério das Infraestruturas enviou uma resposta escrita a questões do deputado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, em que confirmou que o abate avança até ao final do ano. Portugal em Direto | 14 de maio de 2026
Nesse documento consultado pela RTP Antena 1, o gabinete do ministro Miguel Pinto Luz recordou primeiro que o abate de oito navios convencionais é uma obrigação do financiamento atribuído ao abrigo do POSEUR/Sustentável 2030. É apontada também a "gravidade da situação operacional verificada", no decorrer da entrada dos 10 navios elétricos, e que a administração da Transtejo "expôs de imediato a questão à entidade coordenadora dos referidos fundos".
"Nesse contexto, foi autorizada a prorrogação do prazo para o abate dos restantes quatro navios até 31 de dezembro de 2026", afirmou o ministério, acrescentando que outros quatro já foram abatidos.
Nesta resposta, a tutela reconheceu que "o abate, no curto prazo, das quatro unidades remanescentes poderia comprometer a capacidade operacional da empresa, uma vez que estes navios permanecem críticos para assegurar a continuidade, regularidade e fiabilidade do serviço público de transporte fluvial de passageiros".
Contactado pela rádio pública, o presidente da Transtejo não quis prestar declarações nesta altura. Abate de navios? "Acho prematuro"
No dia em que a ligação Cacilhas - Cais do Sodré passou a ter barcos elétricos, na entrevista à Antena 1, Rui Rei sublinhou a importância de recuperar navios da frota tradicional. Esse seria um passo essencial para estabilizar a frota e a oferta, apontando para um reforço de ligações na Trafaria e no Barreiro.
Desde então, tem vindo a falar de novas rotas e no estudo de novos destinos: Parque das Nações, Algés, Alhos Vedros, Moita e Alcochete. Para junho está previsto o arranque de uma travessia que abrange as estações fluviais do Seixal, do Barreiro e do Cais do Sodré, em Lisboa - este serviço estava inicialmente planeado para março.
No entanto, a decisão de abater quatro navios até ao final põe em causa o presidente e o futuro da empresa, defende Carlos Costa, dirigente do Sindicato dos Transportes Fluviais, Costeiros e da Marinha Mercante, da Fectrans.
"Ficaria completamente comprometido, tanto nas novas intenções do Conselho de Administração, como na própria operacionalidade do dia-a-dia", diz.
Carlos Costa sublinha a importância de manter barcos convencionais, para cobrir eventuais falhas na frota elétrica. Concordando que é preciso avançar para uma renovação dos barcos mais antigos - os chamados cacilheiros -, diz também que é preciso ter novas embarcações. E enquanto não vêm, afirma que é cedo para avançar com mais abates.
"Possivelmente poderá vir a acontecer um dia, quando chegar a nova renovação", defende, mas até lá "acho que é um bocado prematuro". Sublinha ainda que o abate dos quatro navios anteriores era justificado por as reparações serem demasiado caras.