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Abusos sexuais na Igreja. Grupo Vita prepara proposta para "reparação financeira"

Abusos sexuais na Igreja. Grupo Vita prepara proposta para "reparação financeira"

Quando se completa um ano desde a apresentação do relatório da Comissão Independente que se debruçou sobre os abusos sexuais na Igreja Católica em Portugal, o Grupo Vita adianta ter recebido 71 pedidos de ajuda. A estrutura criada em abril de 2023 pela Conferência Episcopal Portuguesa indica ainda, num balanço conhecido esta segunda-feira, ter realizado 45 atendimentos. Ainda este mês, no dia 19, será conhecida uma proposta relativa a "processos de reparação financeira".

Carlos Santos Neves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Num balanço, o Grupo VITA sublinha que, desde a divulgação do relatório da Comissão Indenpendente, a Igreja Católica “não pode mais alegar desconhecimento” Markus Spiske - Unsplash

“O relatório da Comissão Independente foi um ponto de viragem determinante para a Igreja Católica em Portugal que, desde então, não mais pode alegar o desconhecimento de situações sexualmente abusivas ocorridas no seu seio. As situações de violência sexual existem em todos os quadrantes da sociedade e a Igreja não é exceção”, lê-se em comunicado do Grupo Vita.

A entidade coordenada por Rute Agulhas revela ter efetuado 45 atendimentos em 71 pedidos de ajuda, prevendo “a realização de mais atendimentos ainda durante o mês de fevereiro”.“Na sua maioria, as situações reportadas dizem respeito a pessoas adultas vítimas de violência sexual na infância ou adolescência, existindo também situações de adultos especialmente vulneráveis”, detalha-se no mesmo comunicado.

Relativamente a “processos de apoio psicológico e psiquiátrico, 13 pessoas mantêm à data atual um processo de acompanhamento regular. Outras oito pessoas foram já encaminhadas para este tipo de apoio e estão numa fase inicial do processo”.

“Em paralelo, o Grupo Vita tem vindo a apostar na formação e capacitação das diversas estruturas da Igreja. Terminou já um primeiro ciclo de formação inicial com os elementos das Comissões Diocesanas, que será replicado em breve, e estão já agendadas ações formativas dirigidas a catequistas, professores de EMRC, docentes de escolas católicas e professores de escolas públicas (com estes últimos, através da Direção Geral da Educação)”.

Adiante, o grupo indica que “a formação inicial com os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica está também a terminar e será replicada em breve, de modo a abranger mais entidades”.Estão em curso “cinco projetos de investigação, cujos resultados serão apresentados no presente ano de 2024”.

A Conferência Episcopal Portuguesa, indica a nota, “solicitou também ao Grupo Vita uma proposta concreta sobre como poderão vir a ser definidos e operacionalizados os processos de reparação financeira, que será apresentada durante o presente mês”.
Isabel Cunha - Antena 1

“Fazemos um balanço positivo destes primeiros oito meses e sentimos que existe um processo gradual de confiança por parte de quem nos pede ajuda. Com as diversas estruturas da Igreja em geral, e com as Comissões Diocesanas, em particular, apostamos num trabalho em rede e em parceira, imprescindível para uma verdadeira mudança de cultura, práticas e valores”, conclui o grupo.
“Conhecer a realidade”
Em declarações escritas à agência Lusa, publicadas no domingo, o presidente da Conferência Episcopal, José Ornelas, reconheceu que “foi importante conhecer a realidade, reconhecer que se cometeram erros e pedir perdão” às vítimas dos abusos no seio da Igreja Católica.

O prelado reconheceu que “o relatório da Comissão Independente foi fundamental”, uma vez que “despertou para um sofrimento escondido que abalou a Igreja e a sociedade, pela crueza dos relatos que trouxe à luz do dia”.

Foi a 13 de fevereiro de 2023 que a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa tornou público o seu relatório: os resultados apontaram, por extrapolação, para um número mínimo de vítimas na ordem das 4.815, desde 1950.

“Mais do que os números, porque um só caso já seria pesaroso, motivou-nos o desejo de ir ao encontro das vítimas destes abusos, procurando, na medida do possível, ajudá-las a curar e superar as suas feridas e a evitar que tais situações voltem a acontecer”, acentuou José Ornelas, para acrescentar que “é possível trilhar novos caminhos, procurando implementar uma cultura de proteção e cuidado das crianças, jovens e adultos vulneráveis no âmbito eclesial e contribuir para o diálogo sobre este tema na sociedade em geral”.

c/ Lusa
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