Adiado julgamento do processo EDP. Pinho propõe-se "esclarecer uma mentira"

por Carlos Santos Neves - RTP
“Não recebi avença nenhuma”, afirmou Manuel Pinho aos jornalistas Filipe Amorim - Lusa

Foi adiada a primeira sessão do julgamento do processo EDP, que estava prevista para esta terça-feira no Campus de Justiça, em Lisboa. À saída do tribunal, Manuel Pinho afirmou que irá “negar de A a Z” as acusações do Ministério Público. Além do antigo ministro da Economia de José Sócrates, são arguidos a sua mulher, Alexandra Pinho, e Ricardo Salgado, antigo número um do Grupo Espírito Santo.

“Venho negar de A a Z, porque se trata de uma acusação falsa e sem nexo e eu venho aqui provar isso”, quis enfatizar o antigo governante, em declarações aos jornalistas no local.

Questionado sobre a prisão domiciliária, Manuel Pinho remeteu para os próprios jornalistas: “Eu acho que isso é uma coisa que vocês é que devem qualificar”.

“Eu não falo. Estou aqui para me defender e quer defender-me lá dentro, não é aqui fora, e vocês é que devem qualificar o sentido que faz”, insistiu.
Manuel Pinho, que se deslocou a Lisboa desde Braga e pernoitou em casa da filha, afirmou ainda que “há muitos anos” que não fala com Ricardo Salgado, igualmente arguido neste processo. E carregou na ideia de que dará, em tribunal, “a versão verdadeira” dos factos.

Quanto aos pagamentos que recebeu do Grupo Espírito Santo, o antigo ministro sustentou que “todos têm por base contratos e não são contratos que apareceram depois, eram contratos que existiam antes”. “Tudo o que recebi, até ao euro, tem justificação”, prosseguiu.

“Não recebi avença nenhuma”, completou, adiante.

Em prisão domiciliária desde dezembro de 2021, Manuel Pinho está acusado de um crime de corrupção passiva para ato ilícito, outro de corrupção passiva, um crime de branqueamento de capitais e um crime de fraude fiscal.

A mulher do antigo ministro, Alexandra Pinho, é julgada por um crime de branqueamento e outro de fraude fiscal, em coautoria material com o marido.

Ricardo Salgado é acusado de um crime de corrupção ativa para ato ilícito, um crime de corrupção ativa e outro de branqueamento de capitais.O início do julgamento foi adiado para a próxima sexta-feira devido à greve dos funcionários judiciais. Situação que pode repetir-se, segundo os advogados de defesa, citados pela agência Lusa.

O ex-homem forte do BES foi submetido, a 28 de setembro, a um exame neurológico no Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses de Coimbra, a pedido dos seus advogados em diferentes processos nos últimos dois anos. O exame visou avaliar o impacto no julgamento do diagnóstico de doença de Alzheimer que lhe foi atribuído. Todavia, apenas tem valor de perícia no processo EDP.

A investigação do processo EDP começou em 2012, assentando em suspeitas de corrupção e participação económica em negócio por parte dos antigos administradores António Mexia e Manso Neto, tendo em vista a manutenção do contrato das rendas excessivas - a acusação alega que teriam corrompido Manuel Pinho.

Em dezembro de 2022, porém, o Ministério Público separou os processos, focando-se nas suspeitas de corrupção e branqueamento com dinheiros provenientes do Grupo Espírito Santo relativamente a Manuel Pinho, Alexandra Pinho e Ricardo Salgado.

c/ Lusa

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