Amianto provocou 126 mortes em quatro anos

As estatísticas da mortalidade reunidas pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e divulgadas esta segunda-feira pelo Correio da Manhã apontam doenças provocadas pelo amianto como a causa da morte de 126 pessoas em Portugal entre 2014 e 2017.

RTP /
O mesotelioma é uma das doenças associadas ao amianto que mais mortes provoca Reuters

O mesotelioma é uma das doenças associadas ao amianto que mais mortes provoca, assim como a asbestose, cancro do pulmão e cancro gastrointestinal.

“O perigo do amianto decorre sobretudo da inalação das fibras libertadas para o ar”, explica a Direção-Geral da Saúde no seu website, acrescentando que “as diferentes variedades de amianto são agentes cancerígenos, devendo a exposição a qualquer tipo de fibra de amianto ser reduzida ao mínimo”.

A entidade refere ainda que “as doenças associadas ao amianto são, em regra, resultantes da exposição profissional em que houve inalação das fibras respiráveis”, fibras essas que “podem depositar-se nos pulmões e aí permanecer por muitos anos, podendo vir a provocar doenças, vários anos ou décadas mais tarde”.
É necessária “intervenção urgente”
Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, declarou ao jornal Correio da Manhã que “é possível que apareçam mais casos” de mortes relacionadas com o amianto nos próximos anos. “Os efeitos na saúde são a longo prazo e é natural que surjam mais”, explicou. Para que o problema seja travado, o bastonário defende uma “intervenção urgente para corrigir todos os casos em que os materiais estejam degradados”.

Segundo a DGS, “a presença de amianto em materiais de construção representa um baixo risco para a saúde, desde que o material esteja em bom estado de conservação”, mas “qualquer atividade que implique a quebra da integridade do material (...) aumenta substancialmente o risco de libertação de fibras para o ar ambiente”.

De acordo com o Correio da Manhã, existem em Portugal 3406 edifícios públicos com amianto, sendo que 175 deles pertencem ao Ministério da Saúde. Quanto a estabelecimentos de ensino, são pelo menos 131 as escolas onde existe amianto.
PUB