António Costa reconhece "episódios menos positivos" no caso Caixa mas quer olhar para o futuro

por RTP
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O primeiro-ministro prefere focar-se na recapitalização da CGD do que na saída de Domingues. Diz que 2017 será o ano da estabilização do sistema financeiro e o início do fim da precariedade no trabalho.

Primeiro, veio a Caixa. A entrevista começou assim: "A Caixa Geral de Depósitos representa um falhanço como primeiro-ministro?" António Costa disse querer focar-se no presente e futuro e esquecer o passado. E o passado inclui a saída de António Domingues da administração do banco público, o que lhe atribuiu o estatuto de líder da administração mais curta de sempre da CGD. Domingues assumiu o lugar no final de agosto e sai no final de dezembro, cedendo depois o lugar a Paulo Macedo, ex-ministro da Saúde de Passos Coelho.

O primeiro-ministro reconhece "episódios que não foram positivos" no caso Caixa mas pediu que estes não se confundissem com a gestão global do banco. “Este Governo fez o possível para colaborar com todos os bancos para criar um clima [de estabilidade] para encontrar para todos eles o bom caminho e ultrapassar uma situação que aqui há um ano era escondida". António Costa prefere sublinhar que tudo está encaminhado para o plano de recapitalização, corroborado pela Comissão Europeia, através da auditoria.


"A dívida é impagável?", perguntou António José Teixeira. O primeiro-ministro foi incisivo: "Não". Apesar de a dívida pública estar acima dos 130% do PIB e de os parceiros parlamentares não acreditarem que a dívida seja sustentável, o primeiro-ministro considera que está a ser feita uma "boa gestão da dívida", com o recente pagamento ao FMI, e entende que, para conseguir pagar a dívida, é preciso continuar a "boa gestão das finanças públicas". Ainda assim, o primeiro-ministro considera que a questão da dívida tem de ser discutida a nível europeu.

"Havendo eleições na Alemanha, até outubro de 2017 a UE não discutirá nada relativamente às dívidas", disse. "As regras devem ser mudadas. Mas enquanto não forem mudadas, devemos cumprir as regras. É assim que devemos ter uma participação ativa no quadro da UE", considerou António Costa.


António Costa está orimista quanto à estabilização do sistema financeiro. "Temos que entrar em 2017 a olhar para as nossas Finanças Públicas tranquilos e sem pensar na angústia do dia-a-dia", disse o chefe do Executivo, que destacou que o "Banco de Portugal e o ministério das Finanças estão a concluir os trabalhos no que diz respeito à gestão de créditos para ajudar as empresas. Gostaria de chegar ao final deste ano com o quadro geral do sistema financeiro todo estabilizado e com um quadro de medidas definido", avança o PM.

2017 será também o ano em que a precariedade começará a ver o seu fim, garante Costa. O PM avança que combater a precariedade no trabalho é um dos seus grandes objetivos para o próximo ano. Diz o chefe do Executivo que "2017 vai ser o ano para resolver a situação da precariedade", com o processo a arrancar "no início do ano". Costa diz acreditar que a diminuição dos chamados "falsos recibos verdes" vai contribuir para o aumento da produtividade.


Em relação ao acordo entre esquerdas, que celebra agora um ano, António Costa diz que está bem e recomenda-se. "Não me posso queixar de falta de apoio do PCP; do BE e do PEV", referiu, acrescentando ainda que também mantém uma relação cordial com o líder da oposição, Passos Coelho, com quem fala "sempre que é necessário", seja "por telefone, sms ou o que for".
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