Associação Sindical dos Profissionais da Polícia acusa Governo de propaganda
O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), Paulo Santos, acusou hoje o Governo de propaganda, na sequência do anúncio de que 700 agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) vão para a pré-aposentação.
"Aquilo que aconteceu foi uma mentira, porque o anúncio que nós tínhamos era de 900 polícias num quadro de 4.400 polícias que estão entre os 55 e os 60 anos, sendo certo que aquilo que está definido no nosso estatuto é 55 anos no mínimo para sair para a pré-apresentação e estão todos a sair por limite de idade, ou seja, 60 anos", afirmou Paulo Santos.
O dirigente falava aos jornalistas junto ao Comando Distrital de Leiria da PSP, onde se concentraram dezenas de polícias com cartazes nos quais se lia, por exemplo, "polícias jovens precisam-se, polícias seniores respeitam-se" ou "polícia envelhecida, segurança comprometida".
O protesto, também da Associação dos Profissionais da Guarda (GNR), juntou polícias e militares da Guarda Nacional Republicana e tinha como destino as imediações dos Paços do Concelho.
Segundo Paulo Santos, quando o ministro da Administração Interna, Luís Neves, tomou posse comunicou à ASPP que "iriam sair para a pré-apresentação 900" polícias.
"Agora são 700, porque as Finanças só permitiram 700. Mas há uma questão importante, é que destes 700, cerca de 350 já saíram por limite de idade", destacou.
Para o dirigente da ASPP, "o Governo constantemente faz propaganda, mas depois a adesão à realidade dessa propaganda não bate certo".
"E nós estamos cá também para isto, é para dizer às populações que há uma postura de propaganda do Governo que não se coaduna com aquilo que são as necessidades do país", adiantou.
Na terça-feira, fonte oficial do Ministério da Administração Interna (MAI) disse à Lusa que o Governo autorizou a passagem à pré-aposentação de 700 agentes da PSP este ano, mais 200 do que nos três anos anteriores.
O MAI considerou que se trata de um dos contingentes "mais elevados dos últimos anos e de uma decisão com impacto muito significativo", correspondendo a um aumento de 40%.
A PSP propôs ao ministro da Administração Interna a passagem à pré-aposentação de 900 agentes, no entanto e concluída a avaliação global, o Governo decidiu fixar um contingente de 700 polícias, "garantindo um reforço significativo face aos anos anteriores e a necessária articulação com a renovação dos efetivos e a capacidade operacional da Polícia".
Sobre o protesto em Leiria, que sucedeu ao de segunda-feira no Porto, e antecede o da próxima quinta-feira em Lisboa, Paulo Santos declarou que os polícias estão "há mais de dois anos e dois meses à espera do resultado do acordo que foi celebrado com o Governo".
"Na altura, ratificou-se o subsídio de risco, mas deixou-se tudo para trás: reavaliação dos outros suplementos, reestruturação das tabelas remuneratórias e alterações ao nosso estatuto", recordou.
No caso de Leiria, que se repete noutras zonas do país, apontou a existência de "uma contestação geral da parte das populações, e principalmente dos autarcas, que reclamam falta de polícias na rua, falta de policiamento de proximidade e aquilo que é mais importante, a visibilidade policial".
"Isto acontece porque não há polícias para todo o serviço", frisou, explicando que tal se deve à falta de atratividade e esta devido à ausência de condições de trabalho e remuneratórias.
Já o presidente da APG, César Nogueira, considerou que "o Governo está a protelar" a implementação de matérias constantes no acordo assinado há mais de dois anos, como a revisão do estatuto remuneratório e a alteração do sistema de avaliação.