Aumentam os casos de Mpox. Portugal com 40 novas infeções nos últimos dois meses

A Direção-Geral da Saúde (DGS) está a acompanhar este cenário de crescimento da Mpox em território nacional e confirmou à Antena 1 que se verifica uma "tendência crescente".

Gonçalo Costa Martins - Antena 1 /
Foto: Rodrigo Lobo - RTP

Os casos de Mpox em Portugal estão a registar um aumento. Nos últimos dois meses foram registadas 40 novas infeções.

A Direção-Geral de Saúde confirmou à Antena 1 que existe uma "tendência crescente" do número de contágios.

Embora a atual evolução da Mpox esteja muito longe dos primeiros dois picos registados desde 2022, as reações dividem-se em relação a esta nova onda de casos.
"Os casos que temos observado são pouco graves", considera Cândida Fernandes, que trabalha no serviço de consulta aberta de Doenças Sexualmente Transmíssiveis (DST) do Hospital de Santo António dos Capuchos, em Lisboa.

Embora reconheça o aumento de casos, a responsável hospitalar sublinha que não é exponencial. Cândida Fernandes diz que é precisa uma "vigilância ativa" nesta fase, mas sem "sinais de alarme para passar à população".

Já o Grupo de Ativistas em Tratamentos (GAT), que tem centros comunitários para rastreio de DST na região de Lisboa, aponta que já devia ter sido declarado um surto, porque os casos estão a subir desde outubro.

"A declaração de um surto permitiria várias coisas, uma delas iniciarem-se campanhas", diz o diretor-adjunto Ricardo Fernandes, referindo-se à sensibilização em particular de grupos de risco para que "tomem medidas preventivas" e para que se vacinem.

Entre os grupos mais vulneráveis, Ricardo Fernandes destaca que deveriam ter prioridade na vacinação disponível as pessoas que tomam medicação PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), as pessoas trans e homens que têm sexo com homens.Últimos dois meses ultrapassam casos do terceiro surto
Nos dados enviados pela DGS à Antena 1, a entidade atualiza os casos confirmados nos últimos meses e divulga o reporte de novembro e dezembro de 2025.

Em novembro, a DGS já tinha notado à rádio pública uma "possível intensificação da transmissão", mas que, com o aumento de casos reportados por clade IIb (subvariante dominante) em outubro de 2025 em relação à média do ano, "a interpretação deste aumento depende ainda de confirmação laboratorial e da evolução dos casos notificados nas próximas semanas”.

Os dados recentes mostram que se registou uma subida nos últimos dois meses: foram dez casos confirmados em agosto, três em setembro, 14 em outubro, 18 em novembro e 25 em dezembro.

Questionada se pode ser considerado um novo surto, a DGS não responde e confirma antes uma "tendência crescente nos últimos meses".

A maior parte dos casos foram diagnosticados na região de Lisboa, já que no Hospital dos Capuchos houve mais de dez casos registados em dezembro, enquanto no GAT foram oito.

No histórico de infeções pelo vírus mpox, Portugal já teve três surtos apontados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. Houve um primeiro surto entre maio de 2022 e março de 2023, com 953 casos. Seguiram-se dois surtos com menos infeções: 229 casos entre junho de 2023 e março de 2024, e 20 casos de junho de 2024 a fevereiro de 2025.

Nos últimos dados, as infeções em novembro e dezembro de 2025 são o dobro do terceiro surto. Segundo a DGS, a média mensal de casos registados subiu para cerca de 14 casos pela subvariante clade IIb.

A mpox transmite-se através de contacto próximo, incluindo sexual, que provocam lesões na pele. Os casos notificados referem-se a indíviduos do sexo masculino com idades entre os 24 e os 57 anos, sendo a mediana de idades de 35 anos e com 90% dos casos ligados a homens que tiveram relações sexuais com outros homens.
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