Autarca acusa Força Aérea de bloquear escola de pilotos no aeroporto de Beja
Beja, 26 out (Lusa) - O presidente da Câmara de Beja acusou hoje a Força Aérea Portuguesa (FAP) de bloquear a instalação de uma escola de pilotos no aeroporto da cidade, por alegada incompatibilidade com a previsível futura utilização da base aérea alentejana.
Trata-se de uma escola de pilotos que a empresa britânica Skyborne Aviation Limited projetou instalar no aeroporto de Beja e que iria operar com 11 aviões de instrução e ter 30 pilotos instrutores, mecânicos e auxiliares e uma média permanente de 150 alunos em formação, explicou Paulo Arsénio.
No entanto, lamentou, o projeto "esbarrou" na FAP, da qual precisava de autorização para uso de espaço aéreo e recebeu "parecer negativo".
Assim, a FAP "bloqueou a instalação de uma escola que faria muita falta ao aeroporto de Beja" e seria "uma boa oportunidade" de criar emprego e mais-valias na cidade e de ter "mais uma valência importante" para "viabilizar" o aeroporto, disse.
Segundo o autarca, a FAP argumentou que o número de horas de voo previsto, pela atividade da escola, "poderia sobrecarregar o espaço aéreo de Beja", tendo em conta a previsível deslocação de unidades da Base Aérea (BA) n.º 6, no Montijo, para onde está prevista a construção do aeroporto complementar ao de Lisboa, para a BA n.º 11, em Beja.
Contactada pela Lusa, a FAP explicou que a Skyborne manifestou interesse em instalar a escola no aeroporto de Beja e foi informada que a Força Aérea "não poderia acompanhar e apoiar, nesta fase, a sua proposta".
Segundo a FAP, "a posição decorre da decisão governamental" de instalar o aeroporto complementar ao de Lisboa na BA6, "o que obrigará a uma profunda reorganização do atual dispositivo" da FAP, que inclui a BA11, para onde "existe um projeto para a implementação de capacidade de formação avançada de pilotos" da FAP.
A confirmar-se o cenário, "verificar-se-á uma utilização intensa" da pista da BA11, usada pelo aeroporto de Beja, e que "poderá inviabilizar uma utilização partilhada" entre a FAP e a escola de pilotos, segundo a Força Aérea.
No entanto, a FAP frisa que "deixou em aberto a possibilidade de, após a consolidação do futuro dispositivo, reapreciar uma eventual cooperação" com o projeto.
Segundo o autarca de Beja, a "expectativa" de a FAP poder deslocar unidades para a BA11 está "dependente de decisões que não estão tomadas e poderá demorar alguns anos", mas a instalação da escola seria "imediata".
"Não posso deixar de manifestar um profundo desagrado e uma profunda desilusão" com a decisão da FAP, que "foi muito austera, muito rígida", disse Paulo Arsénio, referindo que o município estava a tentar ultrapassar a situação junto do Ministério da Defesa, mas, entretanto, a equipa ministerial foi substituída, após a demissão do ministro.
O município "vai retomar os contactos com a nova equipa" do ministério para tentar reverter a decisão da FAP, "mas não tem a certeza se o investidor continua à espera", disse o autarca.
Num comunicado enviado à Lusa, a deputada do PSD por Beja, Nilza de Sena, criticou a decisão da FAP, que considera ser "discriminatória para o distrito de Beja" e não ter fundamento técnico, nem político.
Segundo a deputada, o ministro da Defesa "deve pronunciar-se sobre o assunto" e "a desculpa de desativação" da BA6 "não colhe, porque nem a decisão está tomada, nem ninguém disse que os aviões do Montijo irão para Beja".