Autoridades aconselham a gerir visualização de notícias em guia hoje lançado
As autoridades aconselharam hoje as pessoas afetadas pelo mau tempo a gerirem a visualização de notícias sobre inundações e tempestades, para evitar aumentar o sofrimento, mas mantendo-se informadas, e recomendam atenção especial às crianças.
Num guia conjunto lançado hoje, a Ordem dos Psicólogos, Direção-Geral da Saúde (DGS) e Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) divulgam uma série de recomendações para ajudar a população a recuperar emocionalmente de situações de tempestade e inundações.
Entre as diversas recomendações estão a necessidade de gerir a visualização de notícias, dando prioridade a fontes oficiais de informação, mas sublinhando a necessidade de as pessoas se manterem informadas.
"Se a informação a que acede está a deixá-lo mais ansioso, reduza a visualização de notícias", defendem.
Para as crianças, sublinham a importância de validar o que sentem e de as ouvir, responder a dúvidas e, sempre que possível, manter a previsibilidade e as rotinas habituais, considerando que isso pode dar segurança aos mais novos.
Sugerem igualmente que se incentive as crianças e jovens a fazerem atividades de lazer de que gostem, mantendo-se distraídos, sublinhando que isso pode devolver a sensação de "normalidade".
"Também pode ser vantajoso atribuir-lhes pequenas responsabilidades e tarefas simples que as ajudem a sentir utilidade e controlo, como ajudar em casa, apoiar vizinhos/as ou pessoas mais novas", refere o documento.
Outro dos conselhos deste guia é preparar um plano de contacto quando as redes de comunicações habituais falham, combinando um ponto de encontro com familiares, para o caso de se ficar sem telefone e/ou internet.
A população deve ainda manter contactos importantes escritos num papel e, para obter informações e pedir ajuda, recorrer a vizinhos/as e a pontos de apoio locais como, por exemplo, junta de freguesia, bombeiros e/ou proteção civil.
Sempre que possível, use também um rádio portátil a pilhas (ou de manivela), tendo sempre pilhas de reserva, para acompanhar avisos e indicações das autoridades e localizar pontos de apoio.
Aceitar o impacto emocional de inundações e tempestades é outro dos conselhos das autoridades, que lembram que sentir emoções intensas "é uma parte da resposta natural" do ser humano e, por muito dolorosas que sejam, é preferível expressá-las em vez de as ignorar, para que possam diminuir.
A população deve ainda falar sobre o que sente e resistir à vontade de resolver tudo sozinho e de uma vez, lembrando que é compreensível querer "voltar ao normal", mas que esse sentimento de urgência pode aumentar o risco de acidentes.
"Foque-se em pequenas coisas de menor risco", refere o documento, que considera ainda importante que as populações restabeleçam comportamentos de autocuidado, lembrando que retomar ou investir no autocuidado permite recuperar alguma normalidade, bem como a perceção de controlo e alguma sensação de segurança.
Numa nota hoje divulgada, em que anuncia o lançamento do guia, a Ordem dos Psicólogos lembra que quando as pessoas são ameaçadas podem sentir medo e "ter todas as forças direcionadas para tentar sobreviver" ou salvar os pertencentes e, numa fase posterior, é usual sentir raiva e um sentimento de injustiça de ver o que se construiu ser danificado ou levado pela água ou vento.
Lembra ainda que urgência em reparar rapidamente o que ficou destruído para evitar novas perdas é compreensível, mas pode colocar a segurança das pessoas em risco, empurrando-as para decisões arriscadas, como subir a telhados, mexer em estruturas instáveis ou em sistemas elétricos.
A Ordem dos Psicólogos recorda que cada pessoa tem o seu ritmo e tempo de recuperação emocional, que pode ser mais rápida numas pessoas e mais demorada noutras.
O guia sugere que as pessoas se relacionem com outras que também viram a sua vida afetada, lembrando que escutar e falar com pessoas que passaram por situações semelhantes às nossas pode ajudar.
Recomenda a que se procure apoio e, se se identificar sinais de alerta, deve-se pedir ajuda, lembrando os contactos do Serviço de Aconselhamento Psicológico do SNS24 (808 24 24 24).