Em direto
Os danos e a evolução do estado do tempo

Azeite português entre os primeiros produtos a ter passaporte digital

Azeite português entre os primeiros produtos a ter passaporte digital

O azeite "ACUSHLA Gold Edition", produzido em Trás-os-Montes e Alto Douro, vai chegar às lojas até junho já com o Passaporte Digital de Produto, o novo "código sustentável" que começa este ano a ser implementado na União Europeia.

Rita Fernandes - Antena 1 /
Foto: Alessandro Garofalo - Reuters

"Tal como as pessoas têm um bilhete de identidade, também os produtos precisam de um código que os identifique", explica Pedro Lima, da GS1 Portugal, a entidade que gere os códigos de barras e coordena, em Portugal, o grupo de especialistas que está a preparar a aplicação do Passaporte Digital do Produto. 

Pedro Lima explica à Antena 1 que não se trata de um código de barras, mas sim de um código QR (ou equivalente) através do qual os consumidores podem aceder a informação detalhada sobre a origem do produto, métodos de produção, processos de extração, embalamento e boas práticas ambientais - uma espécie de "cartão de cidadão" do produto que reforça a transparência e a confiança.

A União Europeia avançou com o Passaporte Digital do Produto no âmbito da estratégia de sustentabilidade e economia circular, baseada no conceito de ecodesign - ou seja, produtos concebidos para serem duráveis, reparáveis e recicláveis. O objetivo é reduzir desperdícios, aumentar a reutilização e facilitar a reciclagem, promovendo cadeias de produção mais éticas, eficientes e transparentes.

Para as empresas, o passaporte digital vai significar mais recolha de informações, organização e mais partilha de dados sobre os produtos. "Vai dar um bocadinho mais de trabalho, porque é necessário recolher essa informação, documentá-la e disponibilizá-la de forma digital", reconhece Pedro Lima, coordenador do grupo de trabalho que prepara a aplicação do Passaporte Digital do Produto.

A nova etiqueta vai passar a ser obrigatória nos produtos de todas as empresas que vendam para a União Europeia, incluindo marcas fora do espaço comunitário. A implementação vai ser progressiva e por setores, começando já em 2026 também em áreas como baterias, têxteis, pneus e produtos químicos.

Os produtos que já estão no mercado não têm de ser alterados e vão ser gradualmente substituídos por novos bens que já cumpram as novas regras.

Pedro Lima considera que a nova etiqueta permite tomar decisões mais informadas. É "ter a garantia de que o produto está integrado numa cadeia que assegura a reutilização e a reciclagem. Que cumpre regras éticas, ambientais, económicas, sociais, para garantir que há a possibilidade de darmos uma segunda vida a produtos e que a reciclagem é feita de forma correta."
PUB