Bactéria multirresistente em Santa Maria. "Não há razão para alarmismo"

Bactéria multirresistente em Santa Maria. "Não há razão para alarmismo"

O infeciologista António Silva Graça esteve esta sexta-feira no Bom Dia Portugal, onde explicou o que é a bactéria multirresistente Klebsiella pneumoniae, encontrada no serviço de neonatologia do Hospital de Santa Maria. O especialista afirmou que "não há razão para alarmismo" e que a unidade teve "um procedimento normal numa situação que não é habitual, nem normal".

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Foto: João Marques - RTP

O infeciologista frisou que o aparecimento da bactéria "não teve a ver com as instalações, desde que haja e, há naturalmente, procedimentos de controlo da infeção. Eles existem no Hospital de Santa Maria".

"O que é notícia é precisamente que os procedimentos de controlo da infeção estão a funcionar. Primeiramente isolaram no próprio serviço os prematuros que tinham essa bactéria, foi evidente que ela se continuava a transmitir, e chegou-se a uma situação em que é desejável não internar mais prematuros naquele serviço para evitar que sejam contaminados e recebam a mesma bactéria", elucidou.Segundo Silva Graça, a bactéria Klebsiella pneumoniae "não tem nada de estranho", mas tem a "particularidade de desenvolver mecanismos que a podem tornar resistente a alguns antibióticos, nomeadamente aos mais utilizados".


O infeciologista fez notar que existem "pouco mais de meia dúzia" de bactérias no intestino que têm a "particularidade do mecanismo de adaptação de resistir aos antibióticos".

"Sabemos que esta particularidade habitualmente desenvolve-se por exposição a esses antibióticos, por vezes em que o seu uso não é o mais adequado é excessivo", prosseguiu.

"Uma particularidade que faz com que a bactéria possa ter uma agressividade e uma perigosidade particularmente quando estamos a tratar doentes que são prematuros".

Trata-se de bebés "com maior vulnerabilidade e muitas delas com o próprio sistema imunitário amadurecido e com as condições de defesa que teriam mais tarde. O que, naturalmente, aumenta a preocupação".

"Estas bactérias, a nível hospitalar tornado-se resistentes, dificultam o tratamento das infeções. As opções terapêuticas que temos para tratar essas infeções são menores e diferentes das habituais, o que faz com que os quadros clínicos sejam mais graves", acrescentou Silva Graça.O infeciologista garantiu que ainda existem "antibióticos alternativos".

Silva Graça recordou que os bebés infetados estão em isolamento, noutra área do hospital, e que o serviço de neonatologia foi encerrado "para quebrar a transmissão".

O infeciologista sublinha que as crianças "estão sujeitas a vigilância" e neste momento a bactéria "não está a ter características agressivas. Não está a provocar doença. Não está a provocar o que mais tememos que é a entrada em circulação sanguínea, que provoca os quadros de sepsis e de infeção generalizada. Não é felizmente o caso".
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