"Batiam-nos, havia muita violência". Portugueses detidos por Israel já chegaram a Portugal e relatam agressões

"Batiam-nos, havia muita violência". Portugueses detidos por Israel já chegaram a Portugal e relatam agressões

Questionado sobre os vídeos em que os ativistas são vistos a sofrer humilhações pelas autoridades de Israel, o médico português respondeu que "o que eles filmam é a parte boa".

Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: José Coelho - Lusa

Os dois médicos portugueses da flotilha humanitária Global Sumud que foram detidos pelas forças israelitas aterraram na manhã desta sexta-feira no Porto. Aos jornalistas, Gonçalo Reis Dias relatou a “violência gratuita” durante a detenção e defendeu que o Governo português corte relações com Israel.

“Foi horrível. A violência foi gratuita. Nós estivemos presos alguns dias num barco. Havia dois barcos. No nosso houve duas pessoas que foram baleadas, uma na perna e outro no baço. Não sei como é que esse rapaz está”, contou Gonçalo.

“Batiam-nos, havia muita violência”, referiu. “Bateram-me, amarraram as algemas com muita força. Ainda não sinto três dedos. Deram-me cotoveladas, pontapés. Mas nada comparado com o que outras pessoas sofreram”.

O ativista defendeu, ainda assim, que “é importante continuar a agir”.

“Nós sentimo-nos obrigados a fazer este tipo de ações, porque os nossos governos não agem de acordo e acaba por recair na sociedade civil a responsabilidade de agir contra todos os crimes contra a humanidade que Israel continua a cometer. Contra o genocídio, contra o apartheid”, vincou.

Para Gonçalo Reis Dias, “missão cumprida será quando os nossos governos se posicionarem, quando Portugal cortar relações com Israel, quando deixarmos de permitir que os Estados Unidos usem a Base das Lajes como quiserem para fazer guerra no Médio Oriente”.

“Voltaria a fazer tudo de novo”, acrescentou, dizendo estar “feliz e aliviado de estar em casa”.

Já a ativista Beatriz Bartilotti, que também esteve detida por Israel, disse sentir-se triste por esta solidariedade não acontecer todos os dias. “Os Estados não condenam todos os dias as atrocidades que Israel comete, não só em Gaza mas também na Cisjordânia ou no Líbano”, lamentou.

“Sinto raiva que os nossos Estados continuem a cooperar com o Estado de Israel”, disse, apelando ao corte de relações diplomáticas e económicas.
Os dois clínicos portugueses foram detidos na segunda-feira pelas autoridades israelitas, no âmbito da missão "Sumud Global Flotilla", que seguia para Gaza.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro Luís Montenegro defendeu a suspensão parcial do acordo comercial entre a União Europeia e Israel.
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