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Cabeção celebra vinho de Talha a aguardar certificação da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana

Cabeção celebra vinho de Talha a aguardar certificação da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana

Os produtores de vinho de Cabeção, uma freguesia Alentejana no concelho de Mora, lutam pelo reconhecimento oficial da sub-região de Cabeção como produtora de vinho de Talha. Esta classificação é pedida à Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) e são apresentados argumentos que passam pela demonstração da importância do vinho de Talha na história desta vila e das suas gentes e até nesta região do país.

Arlinda Brandão - Antena 1 /

Fotografias: Confraria do Vinho de Talha de Cabeção

Para valorizar o vinho de Talha de Cabeção pedem-se condições para assegurar a tradição das técnicas ancestrais do processo de produção de vinho em talha de barro, preservar e promover a utilização na vinha de castas tradicionais portuguesas, nomeadamente as utilizadas nesta vila.
José Vieira, o presidente da Confraria do Vinho de Talha de Cabeção lamenta que: " estando fora da sub-região do Alentejo, este vinho não pode utilizar a designação talha, tem que usar ânfora". E defende que o termo correto é talha dado todo o processo de produção com base num "grande pote em barro, em que a talha imprime uma alma ao vinho". E acrescenta que é de "interesse para todo o Alentejo continuar a preservar esta arte única de fazer vinho".
Para Luís Simão, presidente da Câmara Municipal de Mora, a Vila de Cabeção tem todas as condições para ser uma referência na tradição vitivinícola da região " primeiro é preciso que a CVRA reconheça este vinho como vinho de Talha e como património da própria Vila de Cabeção. O municipio desde há muitos anos que integra uma candidatura com algumas freguesias e municipios do Alentejo para que este seja considerado Património Imaterial da Humanidade. E em conjunto com os produtores, temos que trilhar esse caminho para valorizarmos a nossa tradição" disse.

O autarca fala ainda da importancia das talhas na produção deste vinho: "Estamos a falar de uma tradição com centenas de anos, de muitos produtores que ainda existem e de um património de mais de 500 talhas que existem numa pequena freguesia como Cabeção que tem quase tantos habitantes como talhas".
É com o desejo de certificação presente que decorre a Festa do Vinho Novo de Talha de Cabeção que acontece a partir de hoje e durante todo este fim de semana (23 a 25 janeiro) - esta que é uma das mais marcantes celebrações do concelho, dedicada à identidade cultural local.

É uma ocasião em que se destaca o apelo junto da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana para atender ao pedido de classificação de sub-região de Cabeção como produtora de vinho de Talha e justificando que há que incentivar as novas gerações para continuarem esta tradição milenar, garantindo a continuidade de um património que distingue Cabeção no panorama vitivinícola nacional.

Seguindo o desejo de ver concretizado o reconhecimento oficial da sub-região de Cabeção como produtora de vinho de Talha acaba de ser publicado o livro « Cabeção, terra de vinho de Talha » da autoria de José Calado e de José Inverno.
É o resultado de um trabalho de investigação e conta factos, testemunhos e tradições que moldaram a história da produção deste vinho revelando o seu papel central no património cultural Cabeçanense.
Segundo os autores, esta obra representa não só um registo documental rigoroso, mas também um tributo à sabedoria popular preservada pelos produtores e pela comunidade ao longo dos séculos.

A jornalista Arlinda Brandão falou com José Calado, autor, investigador e coordenador desta obra que foi desenvolvida através de uma investigação histórica tanto com documentação consultada como através de registos de memória oral. Ele diz que: "Cabeção ainda é hoje uma das maiores reservas de talhas no Alentejo, que já não se produzem como no passado. É importante preservá-las e garantir a sua conservação. Existem largas centenas de talhas, há ali um Museu vivo de preservação e valorização deste património tão Alentejano" disse.

VINHO DOS AMIGOS

O historiador José Calado, um dos autores do livro « Cabeção, terra de vinho de Talha » considera que "este livro acaba por sustentar de alguma forma, a razão pela qual em termos históricos e de tradição, Cabeção inquestionavelmente merece essa certificação". E fala da importancia deste vinho dos amigos na vertente social: "a comunidade, os vizinhos, os podutores e até os forasteiros, juntam-se nestas pequenas adegas envolvidos totalmente pelas talhas por todo o lado e ali bebem o seu copinho de vinho; Tem esta vertente social e por isso é que o Vinho de Talha é muitas vezes conhecido como o VINHO DOS AMIGOS, por permitir essa confraternização".
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