País
CAEM "estranha" rejeição da GfK pela TVI
A rejeição oficial pela TVI do sistema de medição de audiências da empresa GfK provocou reações divergentes nas entidades envolvidas no setor . A RTP tinha sido a primeira a criticar a qualidade das medições e veio a público dizer que concorda com a TVI, adiantando que agora é preciso encontrar “um sistema de medição de audiências que seja fiável e credível". Já a SIC e a Associação dos Anunciantes mostram-se críticos em relação à decisão da operadora da Media Capital.
A TVI comunicou quarta-feira, por escrito, à Comissão de Análise de Estudos de Meios (CAEM) que não reconhece a validade dos dados da GfK, confirmando assim a notícia que tinha sido adiantada horas antes pelo Jornal Económico.
Uma fonte da administração da Media Capital justificou a decisão com o facto de o sistema de medições da GfK estar a constituir uma fonte de instabilidade porque, apesar de já estar em vigor há um mês, continua sem funcionar.
CAEM fala de "decisão extemporânea"
A direção da CAEM convocou uma reunião de emergência e, do encontro entre Luís Marques, Manuela Botelho e Alberto Rui, saiu um comunicado em que a CAEM "estranha esta decisão extemporânea da TVI antes de qualquer discussão nos órgãos onde, até agora, todas as decisões foram tomadas, por maioria ou unanimidade".
O órgão autorregulador, que reúne representantes dos operadores de televisão RTP, SIC, TVI, PT e ZON), anunciantes (APAN) e agências de Meios (APAME), recorda que a entrada em funcionamento do painel GfK no dia 1 de março "mereceu o voto favorável da TVI, bem assim como de todos os outros associados da CAEM”.
"A direção da CAEM remeteu este assunto ao seu gabinete jurídico, para avaliação das consequências contratuais desta decisão e vai convocar uma reunião de associados do setor de televisão no início da próxima semana", conclui.
TVI diz que"não se pode trabalhar" com os dados da GfK
Recorde-se que a notícia da edição online do Jornal Económico revelava que a TVI desistiu de utilizar os resultados da empresa GfK e iniciou contactos com a Marktest para a medição das audiências
“Em Fevereiro dissemos à GfK e aos associados da CAEM que o sistema não estava a funcionar e precisava de mais tempo para estabilizar. Ficou a promessa de que isso iria mudar no mês de março, mas chegámos ao fim de março e temos um sistema igual ou pior", disse a administradora delegada da Media Capital, Rosa Cullell.
A representante da Media Capital confirmou que ainda não assinou um novo contrato com a Marktest, mas deverá reunir com a empresa em breve. Dependente deste acordo está a garantia de que a Marktest mantém um painel fiável e um sistema de audímetros representativo da população portuguesa.
“Não tenho nada contra ninguém, e não vamos deixar de estar na CAEM mas não vamos continuar com a GfK porque não se pode trabalhar assim”, acrescentou Rosa Cullell na entrevista, que o Jornal Económico tenciona publicar na íntegra na próxima segunda-feira.
RTP partilha da opinião da TVI
Esta tomada de posição por parte da empresa que detém a TVI segue-se às críticas da RTP, que exigiu uma auditoria externa ao novo sistema, por causa das frequentes falhas que o mesmo tem vindo a apresentar - uma decisão que foi validada pela própria CAEM.
O operador de televisão do Estado já afirmou, entretanto, que partilha a opinião da TVI e vai falar com todos os operadores interessados em encontrar uma solução para o mercado.
"É do conhecimento público que a RTP partilha a opinião hoje expressa pela TVI, de que não se pode trabalhar com a falta de fiabilidade e a instabilidade deste sistema de medição de audiências", disse uma fonte oficial da RTP.
A mesma fonte disse que "o setor dos media tem agora um enorme desafio pela frente: encontrar um sistema de medição de audiências que seja fiável e credível".
Nesse sentido, "a RTP irá falar com a TVI e com todos os operadores do mercado que partilhem desta necessidade de se encontrar um sistema fiável e credível de medição das audiências televisivas em Portugal, para construir essa solução", concluiu a fonte oficial da RTP.
SIC diz que a TVI não respeitou as regras
Posição contrária à da RTP tem a SIC que emitiu um comunicado em que critica a TVI, acusando a estação concorrente de não ter respeitado as regras.
"A SIC lamenta, desde já, a opção de não se respeitarem as regras adotadas em sede de autorregulação, depois de as mesmas terem sido aprovadas por unanimidade pelos membros da CAEM , refere o canal do grupo liderado por Francisco Balsemão.
A SIC lembra no comunicado que, mesmo quando no passado se sentiu prejudicada, sempre manteve uma posição coerente com a atual, "manifestando a sua opinião na sede da CAEM".
Por isso, a SIC estranha que antes que a conclusão da auditoria ao sistema da GfK, aprovado a 12 de março, por todos os membros da CAEM , já tenham sido tomadas medidas paralelas e unilaterais para o substituir pela mesma Marktest, “que no passado foi considerada, pela TVI, 'em total descrédito' ”.
"São lamentáveis estas mudanças de opinião e de posição, ao sabor dos resultados diários. Apenas têm servido para descredibilizar o próprio mercado televisivo", criticou a SIC.
A empresa de Pinto Balsemão conclui dizendo que "continuará, como sempre, disposta a debater, em sede de autorregulação, as questões e as dúvidas de todos os parceiros".
Anunciantes dizem que não se pode trabalhar com dois sistemas
Também a Associação de Anunciantes (APAN) criticou hoje em comunicado a posição da TVI, considerando inaceitável "a existência de dois sistemas de medição de audiências".
A Associação Portuguesa de Anunciantes recordou que "não é aceitável a existência de dois sistemas de medição de audiências de um mesmo meio no mercado e que sempre respeitará o sistema aprovado pela CAEM
"A APAN, embora respeitando as posições dos seus parceiros, não compreende como se pode pretender sair do processo nesta fase tão avançada, sobretudo sabendo-se que todas as questões e dificuldades têm sido tratadas e ultrapassadas no seio da CAEM", adianta.
A APAN diz estar "de acordo com todas as posições e compromissos que a CAEM tem tomado ao longo de todo o processo descrito que, recorda, foram sempre tomadas por unanimidade entre as três secções da CAEM: anunciantes, agências, televisões".
Os sucessivos erros da GfK
Recorde-se que o novo sistema da GfK - última classificada no concurso para a medição de audiências e, contudo, escolhida por vantagem comparativa nos custos - foi implementado a 1 de março, com dois meses de atraso e, já com o sistema em vigor, registaram-se diversos erros, como a sub-representação de algumas faixas etárias no painel de medições, atrasos no envio da informação e até momentos em que a audiência medida foi de zero.
Uma fonte da administração da Media Capital justificou a decisão com o facto de o sistema de medições da GfK estar a constituir uma fonte de instabilidade porque, apesar de já estar em vigor há um mês, continua sem funcionar.
CAEM fala de "decisão extemporânea"
A direção da CAEM convocou uma reunião de emergência e, do encontro entre Luís Marques, Manuela Botelho e Alberto Rui, saiu um comunicado em que a CAEM "estranha esta decisão extemporânea da TVI antes de qualquer discussão nos órgãos onde, até agora, todas as decisões foram tomadas, por maioria ou unanimidade".
O órgão autorregulador, que reúne representantes dos operadores de televisão RTP, SIC, TVI, PT e ZON), anunciantes (APAN) e agências de Meios (APAME), recorda que a entrada em funcionamento do painel GfK no dia 1 de março "mereceu o voto favorável da TVI, bem assim como de todos os outros associados da CAEM”.
"A direção da CAEM remeteu este assunto ao seu gabinete jurídico, para avaliação das consequências contratuais desta decisão e vai convocar uma reunião de associados do setor de televisão no início da próxima semana", conclui.
TVI diz que"não se pode trabalhar" com os dados da GfK
Recorde-se que a notícia da edição online do Jornal Económico revelava que a TVI desistiu de utilizar os resultados da empresa GfK e iniciou contactos com a Marktest para a medição das audiências
“Em Fevereiro dissemos à GfK e aos associados da CAEM que o sistema não estava a funcionar e precisava de mais tempo para estabilizar. Ficou a promessa de que isso iria mudar no mês de março, mas chegámos ao fim de março e temos um sistema igual ou pior", disse a administradora delegada da Media Capital, Rosa Cullell.
A representante da Media Capital confirmou que ainda não assinou um novo contrato com a Marktest, mas deverá reunir com a empresa em breve. Dependente deste acordo está a garantia de que a Marktest mantém um painel fiável e um sistema de audímetros representativo da população portuguesa.
“Não tenho nada contra ninguém, e não vamos deixar de estar na CAEM mas não vamos continuar com a GfK porque não se pode trabalhar assim”, acrescentou Rosa Cullell na entrevista, que o Jornal Económico tenciona publicar na íntegra na próxima segunda-feira.
RTP partilha da opinião da TVI
Esta tomada de posição por parte da empresa que detém a TVI segue-se às críticas da RTP, que exigiu uma auditoria externa ao novo sistema, por causa das frequentes falhas que o mesmo tem vindo a apresentar - uma decisão que foi validada pela própria CAEM.
O operador de televisão do Estado já afirmou, entretanto, que partilha a opinião da TVI e vai falar com todos os operadores interessados em encontrar uma solução para o mercado.
"É do conhecimento público que a RTP partilha a opinião hoje expressa pela TVI, de que não se pode trabalhar com a falta de fiabilidade e a instabilidade deste sistema de medição de audiências", disse uma fonte oficial da RTP.
A mesma fonte disse que "o setor dos media tem agora um enorme desafio pela frente: encontrar um sistema de medição de audiências que seja fiável e credível".
Nesse sentido, "a RTP irá falar com a TVI e com todos os operadores do mercado que partilhem desta necessidade de se encontrar um sistema fiável e credível de medição das audiências televisivas em Portugal, para construir essa solução", concluiu a fonte oficial da RTP.
SIC diz que a TVI não respeitou as regras
Posição contrária à da RTP tem a SIC que emitiu um comunicado em que critica a TVI, acusando a estação concorrente de não ter respeitado as regras.
"A SIC lamenta, desde já, a opção de não se respeitarem as regras adotadas em sede de autorregulação, depois de as mesmas terem sido aprovadas por unanimidade pelos membros da CAEM , refere o canal do grupo liderado por Francisco Balsemão.
A SIC lembra no comunicado que, mesmo quando no passado se sentiu prejudicada, sempre manteve uma posição coerente com a atual, "manifestando a sua opinião na sede da CAEM".
Por isso, a SIC estranha que antes que a conclusão da auditoria ao sistema da GfK, aprovado a 12 de março, por todos os membros da CAEM , já tenham sido tomadas medidas paralelas e unilaterais para o substituir pela mesma Marktest, “que no passado foi considerada, pela TVI, 'em total descrédito' ”.
"São lamentáveis estas mudanças de opinião e de posição, ao sabor dos resultados diários. Apenas têm servido para descredibilizar o próprio mercado televisivo", criticou a SIC.
A empresa de Pinto Balsemão conclui dizendo que "continuará, como sempre, disposta a debater, em sede de autorregulação, as questões e as dúvidas de todos os parceiros".
Anunciantes dizem que não se pode trabalhar com dois sistemas
Também a Associação de Anunciantes (APAN) criticou hoje em comunicado a posição da TVI, considerando inaceitável "a existência de dois sistemas de medição de audiências".
A Associação Portuguesa de Anunciantes recordou que "não é aceitável a existência de dois sistemas de medição de audiências de um mesmo meio no mercado e que sempre respeitará o sistema aprovado pela CAEM
"A APAN, embora respeitando as posições dos seus parceiros, não compreende como se pode pretender sair do processo nesta fase tão avançada, sobretudo sabendo-se que todas as questões e dificuldades têm sido tratadas e ultrapassadas no seio da CAEM", adianta.
A APAN diz estar "de acordo com todas as posições e compromissos que a CAEM tem tomado ao longo de todo o processo descrito que, recorda, foram sempre tomadas por unanimidade entre as três secções da CAEM: anunciantes, agências, televisões".
Os sucessivos erros da GfK
Recorde-se que o novo sistema da GfK - última classificada no concurso para a medição de audiências e, contudo, escolhida por vantagem comparativa nos custos - foi implementado a 1 de março, com dois meses de atraso e, já com o sistema em vigor, registaram-se diversos erros, como a sub-representação de algumas faixas etárias no painel de medições, atrasos no envio da informação e até momentos em que a audiência medida foi de zero.