Câmara de Leiria aponta para mais de 200 clientes sem eletricidade no concelho

Câmara de Leiria aponta para mais de 200 clientes sem eletricidade no concelho

"A informação que temos é contraditória, porque dentro do universo da EDP há quem diga que já está tudo reposto, informação que vinda também do mesmo grupo falam-nos em 218 contadores não energizados", afirma o autarca de Leiria.

Carlos Santos Neves - RTP /
Leiria foi um dos concelhos mais atingidos pela passagem da depressão Kristin por Portugal continental António Pedro Santos - Lusa

Mais de duas centenas de clientes permaneciam, esta quinta-feira, sem abastecimento de energia elétrica no concelho de Leiria. Balanço avançado pelo presidente da Câmara, Gonçalo Lopes, no dia em que a EDP, grupo integrado na E-Redes, anunciou a reposição a 100 por cento dos clientes afetados pelas intempéries.

"A informação que temos é contraditória, porque dentro do universo da EDP há quem diga que já está tudo reposto, informação que vinda também do mesmo grupo falam-nos em 218 contadores não energizados", sublinhou o autarca da cidade do Lis, em declarações à agência Lusa.

A informação de que estaria recuperada a situação para 100 por cento dos clientes partiu do presidente executivo da EDP, Miguel Stilwell d'Andrade, durante a conferência telefónica com analistas para a apresentação dos resultados de 2025."Já recuperámos 100 por cento dos clientes, restando apenas algumas situações específicas que serão resolvidas muito em breve, mas penso que o pior já passou", afirmou o responsável pela elétrica.

Questionado pela Lusa sobre os contactos com o presidente da E-Redes, o presidente da Câmara Municipa de Leiria revelou que não fala com José Ferrari Careto "há mais de uma semana".

Gonçalo Lopes disse ainda ter solicitado uma reunião a Ferrari Careto após ter ficado ao corrente de que Leiria seria "dos últimos concelhos" a ver a eletricidade reposta.

"Propus-lhe um plano tático para que este processo fosse mais rápido, com uma gestão mais eficiente dos geradores, a sua mobilidade, o desenvolvimento de um plano que chamei de Plano da Ação Norte do Concelho, uma vez que era o sítio mais afetado, a necessidade de existir uma linha de comunicação melhor para os casos daquilo que chamávamos de linhas injustas", indicou.

O presidente da E-Redes, revelou ainda o autarca, "acabou por sair da reunião", que continuou "com os outros dirigentes que lá estavam".

Questionado sobre se admite partir para a via judicial contra a E-Redes, Gonçalo Lopes remeteu para a regulação: "Quando um serviço está concessionado com esta responsabilidade que, no fundo, acaba por ser a nossa soberania de país, a nossa condição de segurança que está na mão de uma empresa, a autoridade reguladora tem obrigações de controlar os preços, as tarifas, as manutenções, situações em que é necessário fazer compensações, indemnizações, verificar um conjunto de meios que são colocados ao dispor para que o serviço não fique comprometido".

A Câmara de Leiria pediu mesmo à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos que acione "todos os meios para poder compreender o que aconteceu e poder defender os interesses dos clientes, sejam empresas, mas, sobretudo, as pessoas"."Se a ERSE fizer o seu serviço, não é necessário litigar", frisou Gonçalo Lopes.

A E-Redes revelou à RTP que a recuperação do fornecimento de energia no decurso da Depressão Kristin "está praticamente concluída, persistindo apenas alguns casos mais pontuais, que continuam a ser resolvidos" e avança que é preciso agora consolidar o trabalho, passando de "reparações mais provisórias a definitivas”. 

Por seu turno, a EDP avaliou em cerca de 80 milhões de euros os impactos associados às intempéries, incluindo danos nas redes e em ativos de geração, a somar aos custos operacionais. O impacto adicional será atualizado no primeiro trimestre.

c/ Lusa

PUB