Cândida Almeida considera que parágrafo final da PGR sobre primeiro-ministro fez cair o Governo

A procuradora-geral adjunta jubilada Cândida Almeida considera que foi "desnecessário" incluir o parágrafo sobre o primeiro-ministro no comunicado da Procuradoria-Geral da República sobre a Operação Influencer, uma vez que a investigação em causa não visava António Costa.

RTP /

Foto: João Marques - RTP

Esta quinta-feira, em declarações aos jornalistas, Lucília Gago, procuradora-geral da República, recusou responsabilidades na demissão do primeiro-ministro e adiantou que a menção a António Costa surgiu por uma questão de "transparência". 

Em entrevista à RTP3, Cândida Almeida considera que o esclarecimento da procuradora-geral da República foi importante, tendo em conta a dimensão do caso mas também os envolvidos nesta investigação. Discorda, no entanto, da pertinência do parágrafo final sobre o primeiro-ministro, considerando que tal "não seria oportuno e necessário".

"O primeiro-ministro não estava a ser chamado, não foi sequer referenciado no processo Influencer. Penso que seria desnecessário, naquela altura, incluir esse parágrafo", argumentou a ex-diretora do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Questionada sobre se a atuação da justiça motivou a queda do Governo, Cândida Almeida responde afirmativamente, considerando que qualquer primeiro-ministro de um país democrático teria de apresentar a demissão ao ser envolvido numa investigação.

Sobre a ida de Lucíla Gago a Belém, a procuradora-geral adjunta jubilada reconheceu que ficou "chocada" com a "sequência dos factos levados a público em que se mistura a política com a justiça".

Cândida Almeida considerou, no entanto, que os pedidos de celeridade "não é nenhuma pressão" sobre a justiça, mas "exigir que haja um prazo já não é admissível".
PUB