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Os danos e a evolução do estado do tempo

Mau tempo. Proteção Civil fala em desagravamento, mas chuva regressa no domingo

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Mau tempo. Proteção Civil fala em desagravamento, mas chuva regressa no domingo

Está afastado o risco de cheia centenária na Baixa de Coimbra. A estabilização do caudal da barragem da Aguieira contribuiu para aliviar a ameaça. A presidente da Câmara, Ana Abrunhosa adianta no entanto que a cidade se mantém vigilante.

Andreia Martins, Inês Moreira Santos - RTP /

Foto: Miguel A. Lopes - Lusa

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Proteção Civil fala em desagravamento tempo, mas chuva regressa domingo

As previsões meteorológicas para este sábado são de "períodos de chuva ou aguaceiros geralmente fracos" e com agravamento para domingo nas zonas do Minho e Douro Litoral, "mas nada de muito significativo".

De acordo com o comandante Nacional da Proteção Civil, preveem-se episódios de vento "por vezes forte" no litoral, mas numa condição meteorológica "perfeitamente normal".

Este cenário meteorológico terá, segundo Mário Silvestre, um "impacto positivo na questão hidrológica", nas barragens e no escoamentos da água dos rios. Espera-se, por isso, um "desagravamento a nível nacional".

Apesar de estarmos "numa fase de recuperação", continuam muitas "equipas no terreno".

"É preciso recuperar todas estas zonas. Continuaremos empenhados como temos estado até ao momento".

O caudal no Mondego não voltou a aumentar, segundo o responsável da Proteção Civil, mas a situação continua crítica na região de Coimbra. Também no Tejo, os caudais continuam elevados, mas espera-se uma "alívio" nas zonas ribeirinhas.

Há 12 planos distritais ativos, 122 planos municipais e 15 situações de alerta.

Registaram-se 18.589 ocorrências até agora, com mais de 66 mil operacionais e 25831 meios no terreno.

Mesmo com o melhoramento do tempo, os solos continuam muito saturados de água e ainda há risco de queda de árvores e de derrocadas ou deslizamento de terra.

Ainda há cerca de 19 mil clientes da E-Redes sem eletricidade.

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Montemor-o-Velho. Casal de idosos desaparecido desde sexta-feira

Um casal de idosos do concelho de Montemor-o-Velho, no distrito de Coimbra, está desaparecido desde sexta-feira e prosseguem buscas para os encontrar. A informação foi avançada à agência Lusa por uma fonte do Comando Territorial da GNR.

O alerta foi dado na sexta-feira à GNR, pelas 19h45. O casal de 68 e 65 anos reside em Verride. Na sexta-feira saiu de casa e não regressou, o que motivou o alerta dos familiares.

As buscas foram iniciadas ainda na sexta-feira, tendo sido suspensas pelas 22h00 e retomadas hoje de manhã com quatro militares da GNR e cinco operacionais dos Bombeiros Voluntários de Soure, com duas viaturas.

Segundo o comandante dos Bombeiros de Soure, João Paulo Contente, as buscas decorrem na zona oeste do concelho, na freguesia de Vinha da rainha, numa zona que abrange os campos agrícolas de arroz do Vale do Pranto.
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Caudais no Tejo mantêm-se altos mas com tendência a descer

O caudal do rio Tejo mantém-se com níveis elevados, mas com tendência a irem gradualmente descendo nas próximas horas, disse à agência Lusa fonte da Proteção Civil.

O comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, no distrito de Santarém, David Lobato, afirmou que a noite passou sem sobressaltos e dentro do que era expectável, "com os caudais bastante altos, mas sem nenhuma situação de relevo" a registar.

"Agora de manhã, mantém-se assim, mantém-se na mesma com os 5.000 metros por segundo em Almourol (Vila Nova da Barquinha), sem expectativas de termos alguns picos ou alguns aumentos", reportou o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo.

David Lobato adiantou que as perspetivas da Proteção Civil apontam para que o Tejo "não volte a aumentar" o nível, porque as bacias e as barragens "estão agora a estabilizar" e "não estão a encher".

As zonas mais afetadas e que geram mais preocupação são a zona baixa de Constância, "que já está um bocadinho mais aliviada", e a zona baixa de Vila Nova da Barquinha, que também está "na mesma situação", identificou o comandante sub-regional.
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Figueiró dos Vinhos ainda muito limitado nas comunicações

O concelho de Figueiró dos Vinhos, no distrito de Leiria, continua com "limitações severas" ao nível das comunicações, que são asseguradas apenas em 30 a 40% do território através da rede móvel.

O município foi bastante afetado pela depressão Kristin e existem ainda localidades sem energia elétrica, embora em 96% do território a eletricidade já tenha sido reposta.

"Os casos ainda não resolvidos, referem-se a zonas/locais pontuais dispersos onde a gravidade dos danos na rede de baixa tensão é extrema, exigindo intervenções técnicas complexas e, por isso, mais demoradas", explicou a autarquia, nas redes sociais.



Até ao final desta sexta-feira a autarquia tinha reportados danos em cerca de 1.230 edificações, entre habitações, empresas e edifícios públicos.

Já esta manhã, a Câmara de Figueiró dos Vinhos anunciou a abertura da piscina municipal na segunda-feira, nos horários habituais. A piscina continua também disponível para utilização dos balneários, assegurando banhos quentes a munícipes que precisem deste apoio por motivo de falta de energia elétrica. 
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CAP diz que "é obrigatório tratar todos os agricultores da mesma forma"

Luís Mira, secretário-geral da CAP, salienta que "há prejuízos" um pouco por todo o país e não só nos concelhos onde foi decretado o estado de calamidade. Realça que é necessário tratar todos os agricultores da mesma forma.

O responsável da Confederação dos Agricultores de Portugal considera também que "o que se passou no Mondego não é aceitável" e que há falta de manutenção nos diques. "Há que pedir responsabilidades", vincou.

"O Estado foi negligente, não cumpriu a sua função", apontou o secretário-geral da CAP.

Em relação aos estragos, houve estragos sobretudo nas estufas e os prejuízos "ainda estão a ser calculados", mas poderão chegar a "mil milhões de euros", entre destruição agrícola e florestal, passando pela destruição de infraestruturas de rega, de equipamentos ou arranque de árvores

Luís Mira salientou ainda que há ajudas da tempestade Martinho do ano passado "que ainda não foram pagas porque não há meios humanos para fazer as verificações".

Por fim, o responsável sublinhou a importância de criar um fundo de emergência ou calamidade para este tipo de situações.
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Situação em Montemor-o-Velho continua a preocupar

Em Montemor-o-Velho ainda há inundações e ruas alagadas. Preocupa também o estado do Centro de Alto Rendimento de Canoagem.

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Coimbra. Autarquia diz que o pior já passou

O pior cenário não se confirmou relativamente à possibilidade de uma cheia centenária, mas a cidade mantém-se em alerta.

Muitos dos negócios mantiveram as proteções durante a noite.
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Cerca de 20 mil pessoas continuam sem energia na região de Leiria

A estimativa do presidente do conselho intermunicipal da região, Jorge Vala, que é também autarca de Porto de Mós.

À margem de um encontro da comunidade intermunicipal da região de Leiria, Jorge Vala lamenta que não se tenham tirado lições do apagão e refere que está em risco a saúde mental das pessoas ainda a viver sem eletricidade.

Já passaram duas semanas e meia desde a passagem da depressão Kristin.
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Inês Moreira Santos - RTP /

"Sentimos que houve um alívio no risco". Coimbra mantém cautela apesar de situação mais estável

A situação em Coimbra está "um pouco mais estável", mas a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil não exclui, para já, a possibilidade de uma evacuação da baixa da cidade. A margem esquerda do Mondego está parcialmente inundada há uma semana e a população do outro lado do rio está a prevenir-se para evitar o pior.

Foto: João Marques - RTP

Na quinta-feira temia-se uma "inundação centenária" em Coimbra. A margem direita do município ficou em alerta com o risco de ser inundada se o caudal do rio Mondego subisse com o agravamento do tempo. Apesar da chuva intensa da madrugada, a cidade acordou mais aliviada.

A Baixa de Coimbra, as ruas da conhecida "baixinha" e a Rua da Sofia estavam na lista das zonas em risco de inundação na última noite. A população evitou circular pelo centro histórico da cidade e os lojistas prepararam-se para eventual evacuação.


A gelataria Doppo, na Praça do Comércio, esteve aberta durante o dia de sexta-feira para os poucos clientes que por lá passaram nos intervalos da chuva. Mas à porta estava um pequeno muro de sacos de areia.

"Já estivemos mais preparados. Sentimos que houve um alívio no risco", contou à RTP o gerente. "Contamos que o risco de inundação da baixa já não exista. Ainda assim, vamos deixar as coisas preparadas para se houver água".

O estabelecimento tem dois pisos e, quando começou o mau tempo, Fernando Castelo Branco decidiu retirar máquinas e colocar sacos de areia e "umas placas" no piso inferior - "porque é na zona mais baixa da Baixa".

"Ontem retirei os equipamentos mais caros, porque o risco era muito, muito grande. Acreditei mesmo que houvesse inundação da Baixa", disse o lojista. "Os equipamento são tão caros que não podia assumir esse risco".

A gelataria está há quatro anos no centro da Baixa de Coimbra e até agora nunca tinha estado em risco de ser alagada, até porque não está mesmo junto ao rio.

"O que aconteceu este ano foi algo excecional", explicou Fernando Castelo-Branco, que reconheceu que "as alterações climáticas apontam" no sentido de que volte a "acontecer no futuro".

Apesar de se manter em "cautela", o gerente deste espaço comercial já não está tão assustado com a previsão da subida do Mondego até à zona central da cidade. "Ontem assustei-me mesmo", conta.Santa Clara alagada
O cenário é diferente quando saímos da Baixa de Coimbra e atravessamos a Ponte de Santa Clara. A zona ribeirinha da margem esquerda está parcialmente inundada: o Mondego extravasou desde o Parque da Canção até às traseiras do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha.

O rio Mondego é conhecido pelo leito de cheias e nas últimas semanas tem tirado proveito dessa fama. São muitos os concelhos do baixo Mondego que estão a enfrentar as inundações e as ruas alagadas da margem esquerda da cidade espelham bem o aumento do caudal do rio.

O restaurante "Taberna de Portugal", junto ao Portugal dos Pequenitos, está encerrado há uma semana e sem eletricidade. A rua está completamente inundada, sendo impossível circular ou entrar no restaurante.

A água ainda não entrou no interior do estabelecimento, mas com os frigoríficos desligados, grande parte da comida já se estragou.

"Nós não conseguimos trabalhar. Todos os nossos produtos que estavam em frigorífico estragaram-se", lamentou Adriana Fernandes.

Segundo a funcionária deste restaurante conimbricense, "a situação é preocupante" e a maioria das casas e serviços foram já evacuados.

"Todos os dias ficamos aqui até às quatro ou cinco da manhã a ver se a água não sobe. E depois estamos de volta às nove da manhã para ver a situação, porque é bastante preocupante com o rio e as habitações".

É habitual esta rua ficar com "um bocadinho de água", mas nunca "nada tão crítico como agora".

"Já há mais de 20 anos que não acontece assim nada tão crítico", disse ainda Adriana. "A nossa preocupação é não deixar entrar água no restaurante e depois disso restabelecer a normalidade".
Sair de barco e entrar de galochas
Umas ruas mais abaixo, nas traseiras do Mosteiro de Santa Clara, há uns quantos prédios com caves e garagens quase submersas. E em frente habitações térreas completamente inundadas.

De galochas, Ana Paula Pedro mostrou à RTP a casa dos pais completamente alagada.

"A casa está num estado lastimoso, está tudo alagado", disse, quando tentava "ir à cozinha" mas com dificuldade porque "as botas já não permitem com a altura da água".

A habitação onde também viveu, quando era criança, tem ainda primeiro e segundo andar, a que os pais de Ana Paula estão limitados há três dias. Os eletrodomésticos, o sofá e os móveis do rés do chão estão "debaixo de água".

"Está tudo destruído", lamentou. "Desde que me lembro, sempre houve cheias. Mas não com esta dimensão".

Antigamente, recordou, o pai "tinha de sair do primeiro andar de barco", quando havia cheias do Mondego. Mas essas eram "histórias muito antigas".

Na porta da casa vêem sacos de areia e uma mangueira a drenar a água do interior da casa para a rua.

"Isto está melhor do que ontem", assegurou, não deixando de admitir "que é uma tristeza" ver os danos.

"O que vale é que tem o primeiro e o segundo andar e resolvemos a situação".

Previa-se que a situação fosse pior na cidade, que o nível do rio aumentasse mais nas últimas horas, o que não aconteceu e levou à decisão de evitar as evacuações de algumas casas, como neste caso. 

Não houve para já uma "inundação centenária", mas a população de Coimbra vai continuar em alerta enquanto o tempo não melhora e o Mondego não regressa ao leito habitual.
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RTP /

Coimbra em alerta. Escolas e universidade estiveram fechadas

O comércio da baixa de Coimbra preparou-se na noite passada para a possibilidade de inundações históricas

A maior parte fechou depois de ter retirado os principais bens dos pisos térreos. Também as escolas e a universidade não abriram por precaução
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RTP /

Montenegro e Marcelo voltaram a Coimbra

O primeiro-ministro pediu às câmaras municipais rapidez nas vistorias para que os apoios cheguem a quem precisa recuperar as casas.

O presidente da República elogiou a atuação de Ana Abrunhosa nas cheias que ameaçaram a cidade.
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RTP /

Ameaça de "cheia centenária". Coimbra e arredores passaram o dia a preparar-se

O pior das consequências das cheias parece já ter passado. As descargas controladas na Barragem da Aguieira ajudaram a reduzir o impacto de uma inundação excecional na zona baixa de Coimbra, Montemor-o-Velho e Soure.

Esteve perto do limite de segurança, mas não chegou a atingir a quota máxima.

Agora é aguardar para perceber o impacto do acumular das chuvas que ainda terá efeito retardado em algumas regiões.
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