EM DIRETO
Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito no Médio Oriente

Caso das gémeas. Ministério da Saúde "inteiramente disponível" para enviar documentação às autoridades

Caso das gémeas. Ministério da Saúde "inteiramente disponível" para enviar documentação às autoridades

O Ministério da Saúde garantiu esta terça-feira estar “inteiramente disponível” para remeter às autoridades a documentação sobre as gémeas luso-brasileiras que receberam um tratamento de quatro milhões de euros no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Uma posição assumida depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter revelado que enviou à Procuradoria-Geral da República os factos sobre o caso apurados por Belém, argumentando que foi "neutral".

Carlos Santos Neves - RTP /
Duas gémeas luso-brasileiras receberam um tratamento para a atrofia muscular espinhal no Hospital de Santa Maria João Marques - RTP

O gabinete do ministro da Saúde, Manuel Pizarro, adiantou à Antena 1 que, assim que tal for solicitado, entrega os documentos relativos a este caso.
Por sua vez, ouvido pela agência Lusa, o secretário de Estado da Saúde, Ricardo Mestre, recusou-se a comentar o caso, afirmando que o Ministério "está, obviamente e como sempre esteve, disponível para prestar toda a informação que lhe seja solicitada pelas autoridades competentes".

O governante falava à margem da sessão Modernização Tecnológica dos Hospitais do SNS, no Instituto Português de Oncologia do Porto.

Questionado sobre o últimos desenvolvimentos do caso das gémeas, Ricardo Mestre remeteu para a investigação em curso: "Essa situação está a ser investigada pelas entidades competentes".

Na segunda-feira, em declarações aos jornalistas, o presidente da República anunciou ter remetido à Procuradoria-Geral todos os factos apurados pela Presidência sobre o caso das gémeas.

"Mandei apurar na Presidência da República tudo o que pudesse exigir de registos ou arquivado sobre esse tema", esclareceu Marcelo Rebelo de Sousa.Em causa está uma reportagem emitida pela TVI, no início de novembro, segundo a qual duas gémeas luso-brasileiras receberam um tratamento para a atrofia muscular espinhal no valor de quatro milhões de euros - haveria suspeitas de envolvimento do presidente da República na cedência do medicamento.

O chefe de Estado admitiu que recebeu do filho, Nuno Rebelo de Sousa, um e-mail sobre o caso a 21 de outubro de 2019.

Em resposta aos jornalistas, Marcelo quis sustentar que deu a este caso o mesmo tratamento reservado a tantos outros.

"Fica claro", nas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, "que o presidente da República, perante uma pretensão de um cidadão como qualquer outro, dá o despacho mais neutral e igual que deu em N casos", sem qualquer "intervenção do presidente da República pelo facto de ser filho ou não ser filho".
"O que se passou a seguir não sei"
Marcelo Rebelo de Sousa adiantou ainda ter despachado o e-mail do filho para a Casa Civil, que por sua vez falou com Maria João Ruela, que era na altura assessora para assuntos sociais, que contactou o Hospital de Santa Maria. A unidade indicou que o processo tinha sido "recebido" e que estava "a ser analisados vários casos do mesmo tipo”.

Perante novas comunicações do filho de Marcelo Rebelo de Sousa, o chefe da Casa Civl salientou que "a prioridade é dada aos casos que estejam a ser tratados nos hospitais portugueses daí que ainda não tenham sido contactados nem é previsível que o sejam rapidamente".
"O SNS cobre em primeiro lugar as situações de pessoas que residam ou se encontrem em Portugal", acrescentou.

De seguida, de acordo com o relato de Marcelo Rebelo de Sousa, o chefe da Casa Civil remeteu este caso para o chefe de gabinete do primeiro-ministro a 31 de outubro de 2019, tal como fez com "milhares" de outros casos, salientou Marcelo. 

O chefe da Casa Civil informou, por fim, o pai das crianças desta comunicação. A partir daí não houve mais "qualquer intervenção" da presidência da República sobre o processo, adiantou.

"Perguntarão: e depois de ter ido à presidência do Conselho de Ministros? Isso não sei. Não sei, francamente, como é que foi o que se passou a seguir, não tenho a mínima das ideias", acrescentou o presidente.

"O que se passou a seguir não sei, para isso é que há a investigação da Procuradoria-Geral da República. E espero, como disse há dias, que seja cabal, para se perceber o que se passou desde o momento em que saiu de Belém", concluiu.
Santa Maria. "Auditoria interna ainda está a decorrer"
Em resposta por escrito, também obtida pela rádio pública, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte esclarece que continua "a decorrer" uma auditoria interna, escusando-se a fazer comentários ou a avançar com "detalhes sobre qualquer caso" enquanto este processo não estiver concluído. Isto a par das "investigações externas também em curso".

"Sobre o âmbito da auditoria, podemos informar que ela não se centra em casos isolados", sublinha ainda o CHULN.

"O Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte deliberou em novembro de 2023 realizar uma auditoria interna ao processo assistencial de doentes com atrofia muscular espinhal tratados com o medicamento Zolgensma no CHULN, tendo como objetivo avaliar o sistema de controlo interno em funcionamento, abrangendo os procedimentos realizados antes, durante e após o referenciado tratamento", precisa a instituição.

c/ Lusa
PUB