CEMGFA salienta que há investimentos que podem ser feitos fora da Lei de Programação Militar

CEMGFA salienta que há investimentos que podem ser feitos fora da Lei de Programação Militar

 

Lusa /

O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) salientou hoje que existem investimentos que podem ser feitos fora da Lei de Programação Militar e alertou que "será obrigatório defender o país" em caso de necessidade.

O general Nunes da Fonseca falava na conferência "Europa, que futuro?", que integra o ciclo de "Conferências da RTP/ Sociedade Civil" e decorre hoje no Centro Cultural de Belém, assinalando o Dia da Europa, num painel no qual também participou o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo.

O chefe militar apontou que na última revisão da Lei de Programação Militar (LPM), que estabelece o investimento público em meios e equipamentos para as Forças Armadas, feita em 2023, o surgimento da guerra na Ucrânia fez com que Portugal tenha investido em reservas de guerra e defesa aérea.

"Essas componentes todas integradas fazem parte do pacote da LPM. Quando se começa a falar de sistemas muito sofisticados, porventura incontornáveis, talvez a LPM não seja suficiente. Aliás, houve projetos do passado em que grandes equipamentos de grande dimensão e custos que não foram adquiridos através da LPM, foram decisões governamentais e do país para equipar o país com os mais adequados meios", alertou.

O general salientou que se a evolução das aeronaves F-16 "caminhar para o conhecido F-35" tal investimento "não estará dentro dos limites da LPM" e teria que ser lançado já para que a primeira aeronave chegasse a Portugal daqui a 10 anos.

No início do debate neste painel - no qual também participaram a diretora do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa e ex-secretária de Estado da Defesa, Ana Santos Pinto, e o fundador da tecnológica Tekever, Ricardo Mendes -- o general Nunes da Fonseca desvalorizou o debate sobre um serviço militar obrigatório no país mas alertou que "será obrigatório defender o país" em caso de necessidade.

"Há neste momento um problema de efetivos, é verdade, mas está a ser encarado de frente, estão a ser tomadas medidas. Conto com o apoio do ministro da Defesa, das instituições do país para compreenderem que, por exemplo, falar de serviço militar obrigatório talvez não seja tão importante hoje em dia, mas fazermos compreender a todos os jovens e portugueses que será obrigatório defender o país, os nossos valores e independência", salientou.

O general Nunes da Fonseca disse ainda que o país tem as Forças Armadas "que vai conseguindo ter", sendo essa a razão pela qual "são edificadas com realismo".

"Todos os dias cumprimos as missões e esperamos ser dotados e preparar-nos para cumprir essas missões com todas as capacidades que nos devem ser facultadas para as cumprirmos bem", avisou, perante o ministro da Defesa.

O CEMGFA disse ainda que os militares compreendem que o país "tem recursos finitos".

"Os militares gostariam de ter mais mas também estão cientes que é o possível e há esforço a fazer nesta área, nomeadamente perante a NATO [Organização do Tratado do Atlântico Norte], onde temos o compromisso de atingir o mínimo de 2% [do PIB em Defesa], e não o máximo", lembrou. 

O general afirmou que Portugal tem atualmente 34 missões planeadas e que no final do ano "terão sido empenhados cerca de dois mil militares".

 

 

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