Incêndio em Alcabideche afetou 14 pessoas
O incêndio deste domingo em Alcabideche, no concelho de Cascais, afetou 14 pessoas, entre elas três civis por inalação de fumo. O alerta foi dado cerca das 12h30 para zona de mato.
Foto: António Pedro Santos - Lusa
A Proteção Civil chegou a acionar uma zona de concentração e apoio à população.
Incêndio de Alcabideche "em grande parte dominado"
Ao início da noite deste domingo, o vento continuava a ser o principal inimigo dos bombeiros, já empenhados em trabalhos de rescaldo.
Especialistas colocam a tónica na sensibilização contra incêndios
Do estatuto dos bombeiros ao planeamento florestal, passando pela limpeza dos terrenos. À RTP, vários especialistas em incêndios afirmam que está por fazer um longo trabalho de sensibilização para evitar os grandes sinistros.
Bombeiros têm "capacidade de resposta muito elevada"
Entrevistado na RTP3, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, abordou a evolução do combate ao incêndio que deflagrou ao início da tarde deste domingo em Alcabideche. O responsável salientou o papel das corporações.
"Este é um incêndio que os bombeiros conhecem muito bem. Não é a primeira vez que isto acontece e eles conhecem o percurso que este incêndio percorre", observou ainda o presidente da Liga dos Bombeiros.
Seis bombeiros feridos sem gravidade. Uma viatura consumida pelas chamas
Quatro dos bombeiros feridos foram foram levados para o hospital - dois por queimaduras ligeiras e outros dois por inalação de fumo. Outros dois operacionais tiveram de receber assistência médica no teatro de operações. O incêndio permanecia ativo pelas 18h00. No flanco esquerdo, o combate estava praticamente em fase de resolução. Os meios concentravam-se, a essa hora, no flanco direito, onde o vento continuava a impulsionar as chamas.
O dispositivo de combate ao incêndio somava mais de 370 operacionais apoiados por 110 viaturas e 123 meios aéreos.
São 14 os meios aéreos envolvidos no combate às chamas
Equipa de reportagem da RTP mostra efeito do incêndio em Alcabideche
"Ausência de desflorestação" potencia incêndios em Alcabideche
A propósito do incêndio deste domingo em Alcabideche, o investigador na área da Proteção Civil Duarte Caldeira explicou numa entrevista à RTP 3 que continua a haver um conjunto de riscos potenciais para a deflagração de incêndios nesta zona com um histórico de incêndios, "apesar do grande esforço que tem sido desenvolvido pelo Município de Cascais no trabalho preventivo". "Há ainda zonas que potenciam a deflagração de incêndios por ausência de desflorestação", disse.
Foto: facebook.com/CMCascais
Ouvido este domingo na RTP, o antigo diretor nacional da Escola de Bombeiros, salientou ainda a "evolução extraordinária" no combate aos incêndios devido à incorporação de conhecimentos, formação contínua e pesquisa permanente. "É indiscutível que se compararmos a evolução nos últimos dez anos há uma evolução extraordinário neste domínio que tem resultados quer ao nível da decisão estratégica e operacional quer também na qualidade nas forças de combate".
"Tem havido uma evolução muito grande na preparação dos bombeiros"
Ouvido este domingo na RTP3 sobre o incêndio em Alcabideche, Domingos Xavier Viegas, investigador de incêndios da Universidade de Coimbra, sublinhou que a preparação dos bombeiros em Portugal evoluiu de forma significativa, desde logo em matéria de segurança.
Foto: Ana Serapicos - RTP (arquivo)
Xavier Viegas referiu-se também às condições no terreno em Alcabideche: "Sei que tem uma orografia complicada e, ao estar exposta ao vento, o vento pode ser decisivo e pode surpreender os bombeiros. A orografia cria o seu próprio comportamento para o fogo".
O professor colocou ainda a tónica na necessidade de "evitar que os incêndios ocorram por meio da educação e do comportamento das pessoas".
O testemunho de um morador na zona do incêndio em Alcabideche
Temperaturas vão subir em todo o país
Em algumas regiões os termómetros vão ultrapassar os 40 graus. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera emitiu avisos que vão pintar o país de amarelo e laranja até quarta-feira.
Vento forte é o principal adversário dos bombeiros envolvidos no combate às chamas em Alcabideche
Recorde-se que há notícia de seis bombeiros feridos, mas sem gravidade. Quatro elementos foram transportados para uma unidade hospitalar. Uma das viaturas de combate a incêndios foi consumida pelas chamas.
As operações de combate mobilizam agora mais de 300 bombeiros, apoiados por 92 viaturas e oito meios aéreos.
Seis bombeiros feridos sem gravidade no combate às chamas em Alcabideche
"O vento tem sido o maior constrangimento no combate a este incêndio", sublinhou ainda o segundo comandante. Por sua vez, o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, presente no local, afirmou que "o que tinha de ser feito está feito", depois de sustentar que não é possível reduzir o risco de incêndio "a zero".
A RTP apurou que há três operacionais feridos no combate ao incêndio em Alcabideche
Equipa de reportagem da RTP no local do incêndio
Fogo ronda habitações. Autarca de Cascais apela à calma
Ouvido na edição das 14h00 da RTP3, o presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras, deixou uma nota de preocupação, mas apelou também à calma: "Neste momento termos todas as razões para acreditar que não haverá preocupação de maior, embora, enquanto estiver a decorrer o incêndio, devemos estar preocupados e agir em conformidade".
"Está próximo de algumas casas, mas não de grandes aglomerados urbanos. Estão a ser protegidas, naturalmente, essas casas. A situação que se colocava de maior preocupação era se ele evoluía para um equipamento de residência para idosos, mas neste momento está tudo preparado para qualquer eventualidade que possa surgir, nomeadamente a evacuação", prosseguiu. "Até agora, não houve nenhuma evacuação, mas se vier a ocorrer não hesitaremos em realizá-la", afirmou ainda o autarca, que deixou um apelo às populações para que facilitem o trabalho dos bombeiros.