Subida das águas do Mondego faz estragos em Casal Novo do Rio
Várias estradas condicionadas
Ainda segundo a autarquia, na zona de Lavariz para a Carapinheira há corte de estrada, tal como entre Tentúgal e o limite do concelho.
"A subida das águas está a provocar vários constrangimentos à circulação rodoviária no concelho de Montemor-o-Velho, em particular nas zonas mais baixas quer da margem esquerda, quer da direita do Mondego", explica a Câmara.
As escolas estão igualmente encerradas neste concelho do distrito de Coimbra.
Rio está estável e deverá encaixar mais água
O dia de hoje será de "encaixe de água" no Douro, rio que tem mantido caudais estáveis com "episódios sem muito significado", mas a exigir "máxima atenção pelo menos até domingo", disse o comandante adjunto da capitania do Douro.
"Foi uma noite tranquila com caldais baixos. A cota do rio apenas foi até aos 4,5 metros [no Porto]. Mesmo na Albufeira do Carrapatelo, na cidade do Peso da Régua, a cota andou abaixo dos 8 metros, portanto, com bastante menos água do que ontem [quinta-feira]. Esta menor quantidade de água servirá para algum encaixe para o dia de hoje. A chuva que vai cair durante o dia de hoje, quer em Portugal, quer em Espanha, vai transportar alguma água para o rio e a perspetiva é que os caudais fiquem altos", referiu o comandante adjunto da capitania do Douro.
Alertando que "a água não escoa de repente", Pedro Cervaens falou em "atenção máxima até domingo".
"Havendo previsões mais favoráveis para a próxima semana, acredito que, gradualmente, as medidas venham a ser mais flexibilizadas, mas neste momento não", disse.
O rio Douro permanece em alerta vermelho para risco de cheias e o Plano Distrital de Emergência e Proteção Civil da Área Metropolitana do Porto está ativo até domingo.
Esta ativação decorreu da declaração de contingência decretada pelo Governo.
Na sequência do mau tempo em Portugal, designadamente da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, dezasseis pessoas morreram e centenas de outras ficaram feridas ou foram desalojadas.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, deslizamentos de terras, fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Retomada circulação ferroviária na Linha do Sul
"Por razões de segurança, devido ao agravamento do estado do tempo, com risco de cheias na região de Coimbra, foram suspensos, sem previsão de retoma, os serviços de longo curso - Alfa Pendular e Intercidades - na Linha do Norte, no eixo Porto - Lisboa", indica a empresa.
"Apenas se realizam os serviços Regionais entre Entroncamento e Soure, Coimbra-Aveiro-Porto e entre Tomar e Lisboa".
"Prevê-se a realização do Comboio Internacional Celta, podendo ser usado material circulante diferente do habitual e sendo que o percurso Valença - Vigo - Valença será feito com recurso a transbordo rodoviário", indica ainda a CP.
Linhas com constrangimentos
- Linha do Alentejo: circulação suspensa entre Pegões e Bombel;
- Linha da Beira Baixa: continua suspensa, realizando-se apenas os comboios regionais entre Castelo Branco e Guarda e entre Entroncamento e Abrantes;
- Linha da Beira Alta: serviço Intercidades entre Coimbra e Guarda realiza-se com recurso a material circulante diferente do habitual;
- Linha de Cascais: comboios circulam com alterações nos horários;
- Linha do Douro: circulação suspensa entre Régua e Pocinho;
- Linha do Oeste: circulação suspensa;
- Urbanos de Coimbra: circulação suspensa.
Trânsito cortado na A1 em Vila Franca de Xira por risco de queda de "placar"
O trânsito na Autoestrada do Norte está cortado desde as 5h40 junto às portagens de Vila Franca de Xira, Lisboa, no sentido Sul-Norte, por causa do perigo de queda de um "placar" informativo, disse fonte da GNR.
A mesma fonte adiantou à agência Lusa que este corte da A1 implica que os automobilistas tenham de sair para a Estrada Nacional 10, que liga Cacilhas e Sacavém.
A mesma fonte acrescentou que o corte do trânsito foi decidido por precaução e, pelas 7h30, não havia ainda estimativa sobre o tempo que demorará para resolver a situação.
Comboios entre Lisboa e Porto e barcos entre Seixal e Cais do Sodré suspensos
A CP informa que os comboios de longo curso entre Lisboa e Porto estão suspensos, sem previsões de retoma, devido ao mau tempo e por razões de segurança. Também as ligações fluviais entre o Seixal e Cais do Sodré estão suspensas sem previsão de normalização deste serviço.
Dez pessoas retiradas em Sobral de Monte Agraço
Na região de Sobral Monte Abraço, deslizamentos de terras obrigaram à retirada de quatro pessoas de casa, residentes na aldeia de Pé do Monte. Uma situação que já estava identificada, de acordo com o comandante sub-regional do Oeste, Carlos Silva.
"Rotina normal". O retrato da baixa da cidade às 7h00
Espera-se que, entre as 8h00 e as 9h00, se viva o período mais crítico.
Situação cada vez mais crítica em Coimbra
- Acentuou-se o risco de grandes cheias na baixa de Coimbra. O pico pode ocorrer entre as 8h00 e as 9h00 ou às 15h00. Durante a noite, o município começou a retirar das zonas de risco pessoas acamadas e sem-abrigo. Contudo, se a situação se agravar, poderão ter de ser retiradas da zona urbana nove mil pessoas;
- A presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, admitiu na quinta-feira um risco acrescido de "cheia centenária", ou seja, com uma em 100 hipóteses de acontecer num ano. A autarca anunciou ainda que as escolas do concelho vão manter-se fechadas esta sexta-feira;
- Também a Universidade de Coimbra está encerrada. O reitor justifica a decisão com a necessidade de garantir a segurança;
- A reparação do troço da A1 que que ruiu em Coimbra vai demorar várias semanas. A Brisa explica que a rutura aconteceu devido a um débito excecional de mais de 2.100 metros cúbicos de água por segundo. A empresa revela que está a ser feita uma análise técnica;
- Em alternativa à A1 na região de Coimbra, os automobilistas podem optar pela A8, A17, A25 ou IC2;
- O abatimento da via aconteceu cerca de três horas depois do corte total da A1, feito de forma preventiva, no sublanço de Coimbra Norte e Coimbra Sul, pelo que o colapso do viaduto não representou perigo, segundo a Brisa;
- O risco na bacia do Mondego deve-se à barragem da Aguieira. O depósito está acima dos 99 por cento, perto do limite de segurança da própria infraestrutura. O volume de armazenamento tem vindo a subir e atingiu quase 125 metros, perto do valor máximo de 126;
- A Proteção Civil registou, na quinta-feira, 678 ocorrências decorrentes do estado do tempo em Portugal continental, a maioria inundações, queda de árvores e deslizamentos de terra, que afetaram em particular a região de Coimbra;
- A circulação ferroviária continua interrompida em várias zonas. Na Linha do Sul está suspensa a ligação entre Luzianes e Amoreiras. Na linha da Beira Baixa só circulam os comboios regionais entre Castelo Branco e Guarda e entre Entroncamento e Abrantes. Em Coimbra, a circulação permanece suspensa nos coimboios urbanos. Verificam-se ainda cortes e condicionamentos nas linhas do Norte, Douro, Oeste, Cascais e Sintra. Os comboios de longo curso na Linha do Norte, entre Porto e Lisboa, foram suspensos por razões de segurança;
- A ligação fluvial da Transtejo entre as estações do Seixal e do Cais do Sodré estava, pouco antes das 6h00, interrompida;
- A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil alerta que há igualmente maior risco de cheias em Lisboa, Setúbal e na Região Oeste;
- No distrito de Vila Real ocorreram centenas as derrocadas nos últimos dias;
- Em Albergaria-a-Velha, 20 pessoas tiveram de ser retiradas de casa. Neste concelho, há estradas cortadas, casas isoladas e o receio de que a ponte de Valmaior não resista ao ímpeto da água;
- Em Alcácer do Sal, a zona ribeirinha voltou a ficar inundada. Alguns comerciantes descrevem espaços em que só sobram as paredes;
- O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, avisa que é agora o momento de começar a fazer contas ao futuro e que a resposta às zonas afetadas vai marcar os próximos anos de governação.
"Cheia centenária" em Coimbra poderá obrigar à retirada de nove mil pessoas
Coimbra pode viver esta sexta-feira uma "cheia centenária" por causa do aumento do caudal do Rio Mondego.
Foto: Paulo Novais - Lusa
O alerta é da presidente da Câmara local. Ana Abrunhosa pede às pessoas que evitem deslocações, suspendeu as aulas e recomendou mais evacuações.
Meteorologia prevê alívio na intempérie a partir de sábado
Prevê-se chuva intensa até ao início da tarde desta sexta-feira.
Derrocadas na Caparica. Cerca de 400 pessoas retiradas de casa
Depois de várias derrocadas na Costa da Caparica, os moradores de Porto Brandão, São João e Azinhaga dos Formozinhos foram retirados de casa. A autarquia de Almada retirou já de casa cerca de 400 pessoas.
Colapso da A1. Reparação de troço entre Coimbra Norte e Coimbra Sul ainda sem data de conclusão
Quando a A1 colapsou, a principal estrada do país já estava cortada preventivamente entre Coimbra Norte e Coimbra sul.
Foto: Miguel A. Lopes - Lusa
Resposta à calamidade. PR avisa que é preciso fazer "contas ao futuro"
O Presidente da República considera que é muito difícil governar numa calamidade, mas que é altura de começar a fazer "contas ao futuro".
Foto: Paulo Novais - Lusa
Recorda no entanto que será preciso mais dinheiro e tempo do que se pensava para a reconstrução.
"PTRR". Montenegro anuncia Plano de Recuperação e Resiliência exclusivamente português
O anúncio foi feito por Luís Montenegro durante uma visita às zonas afetadas pelas cheias em Alcácer do Sal, distrito de Setúbal.
O primeiro-ministro anunciou esta quinta-feira a intenção de implementar um Plano de Recuperação e Resiliência exclusivamente português, a que chamou PTRR, para que o país possa recuperar economicamente das consequências do mau tempo e atuar nas infraestruturas mais críticas.
“Ninguém vai ser esquecido. Nós vamos ter uma resposta nacional para um problema que afetou todo o território, evidentemente com particularidades em alguns desses espaços territoriais”, afirmou.
“Nós teremos um PTRR, um Programa de Recuperação e Resiliência exclusivamente português para podermos sair desta sucessão de intempéries mais fortes, mais resilientes, recuperados socialmente, recuperados do ponto de vista da dinâmica económica”, explicou Luís Montenegro.
Segundo o chefe de Governo, "ainda não é o dia para poder anunciar ao país exatamente o plano que temos em mente para os próximos anos em Portugal”.
“Mas eu posso já avançar que hoje tivemos uma reflexão já muito aprofundada no Conselho de Ministros e dei orientações a todos os ministérios para projetarmos um grande programa de recuperação e resiliência para Portugal, para podermos chegar a todo o território", assegurou.
O objetivo deste programa será também fazer "uma atuação que é absolutamente imprescindível sobre as infraestruturas mais críticas", adiantou o primeiro-ministro.
"Infraestruturas básicas, infraestruturas rodoviárias, ferroviárias, de abastecimento de energia elétrica, de abastecimento de água, de serviços públicos. Nós temos pela frente um desafio enorme nos próximos anos de podermos recuperar e também de nos tornarmos mais resistentes para uma eventual repetição deste ou de outros fenómenos com igual gravidade", vincou. Montenegro não quis responder se haverá uma remodelação cirúrgica no Governo, garantindo apenas que o Executivo “está todo mobilizado para podermos apresentar ao país o nosso PTRR – Portugal Recuperação e Resiliência – e para podermos também ter depois todos os departamentos do Estado e a sociedade civil mobilizada”.
Aos jornalistas, Montenegro disse ainda entender os apelos feitos para colocar "determinados territórios no âmbito da situação de calamidade, no âmbito da situação de contingência", e assegurou que "ninguém vai ser esquecido".
Além disso, o primeiro-ministro realçou que “temos que ajudar a reposição da situação quer das famílias, quer das pessoas, quer das empresas", mas "o Estado não pode nem deve substituir-se aos seguros", que "também têm de assumir a sua responsabilidade”.Mais de 4.600 milhões de euros em prejuízos
Respondendo ainda sobre o anunciado PTRR, o primeiro-ministro reiterou que “nós não temos ainda o desenho, estamos a fazê-lo”.
“Temos de integrar nesse programa muitas das perspetivas de investimento que já estão em curso e outras que se vêm agora juntar em termos de recuperação”, elucidou.
O chefe de Governo realçou ainda que “agora que vamos recuperar o país, nós temos de ganhar ainda mais capacidade para podermos enfrentar fenómenos meteorológicos extremos como os que enfrentámos agora”.
Quanto aos danos na A1 em Coimbra, Luís Montenegro afirmou que “tudo aquilo que puder ser feito do ponto de vista técnico para poder repor a situação será feito” mas, “neste momento, com o caudal que o rio Mondego tem ainda, sabemos que essas operações estão prejudicadas e portanto tem de se aguardar por condições que permitam, em segurança, fazer esse restabelecimento”, que “é a prioridade máxima”.
O primeiro-ministro referiu ainda que a última estimativa relativa aos prejuízos causados pelo mau tempo em todo o país nas últimas semanas, realizada há 48 horas, apontava para mais de 4.600 milhões de euros.
c/ Lusa