Congresso do PCP marcado por discurso sentido de Odete Santos

O Congresso do PCP prosseguiu esta manhã em Lisboa, no Pavilhão Multiusos do Campo Pequeno, com destaque para o discurso sentido de Odete Santos. A ex-deputada evocou os valores da liberdade de expressão e do direito à resistência numa intervenção longamente aplaudida.

RTP /
Odete Santos emocionou congressistas comunistas. RTP

No dia em que o PCP irá eleger Jerónimo de Sousa como secretário-geral do partido, a manhã do Congresso comunista que decorre no Campo Pequeno, em Lisboa, ficou marcada pela subida à tribuna principal da ex-deputada Odete Santos.

Ao subir à tribuna e ao olhar para os cerca de 1.500 delegados e convidados presentes no Campo Pequeno, Odete Santos disse logo: "Somos muitos, muitos mil para continuar Abril", frase que levou os congressistas a repetir o "slogan".

Foram vários os assuntos abordados por Odete Santos, mas quase todos a tocarem bem dentro da alma comunista dos presentes ao evocar exemplos concretos "de atentados" a valores como o direito à liberdade de expressão, de organização partidária e os direitos civis.

Exemplo foi o caso da lei dos partidos políticos de 2003 que impõe regras que os comunistas consideram uma interferência na liberdade de organização partidária ao impor o voto secreto nas eleições internas quando o PCP votava tradicionalmente por braço no ar.

"Somos um gigantesco colectivo partidário. Mostrámos ao Tribunal Constitucional o cartão e dizemos que somos muitos, muitos mil", afirmou a ex-deputada que considerou ainda "imperioso" que haja "inteira liberdade dentro dos partidos".

Odete Santos, advogada e com trabalho na área dos direitos das mulheres, indignou-se com um caso em que "cinco mulheres paquistanesas foram enterradas vivas".

Invocando a Declaração Universal dos Direitos do Homem, que alertou estar a ser esquecida, Odete Santos foi buscar o exemplo recente de dois jovens comunistas levados a Tribunal e condenados afirmando que "o direito à liberdade de expressão é malbaratado" quando há um Tribunal que condena dois jovens por "usarem o pincel e a tinta" e escreverem num viaduto público o lema de um Congresso da JCP: "Transformar o sonho em vida".

"Como se a liberdade estivesse suspensa", indignou-se Odete Santos, suscitando os aplausos do Congresso que ouviu ainda a ex-deputada falar do direito à resistência ao afirmar que "é um dos direitos mais emblemáticos da Constituição de Abril".

Bernardino Soares ataca Governo PS

Outro dos discursos marcantes desta manhã no Campo Pequeno em pleno Congresso do Partido Comunista foi o do líder parlamentar do partido, Bernardino Soares.

O dirigente comunista acusou o PS e o Governo de terem lançado "uma brutal ofensiva" da "política de direita" nos últimos quatro anos e que essa "política de direita", de "ataque a direitos", tem sido impedida ou dificultada por "fortes acções de massas", em especial dos sindicatos.

O líder parlamentar comunista realçou ainda o trabalho do grupo parlamentar do partido, que tem tido um "papel destacado no apoio à luta de massas, no combate às medidas do Governo, na apresentação da política alternativa".
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