Covid - 19. Taxa de transmissão do vírus em Portugal está em 0.92. E isso é bom ou mau?

A ministra da Saúde divulgou hoje que o risco de transmissão da Covid-19 em Portugal - o Rt que tanto se tem falado nestes tempos de pandemia - foi de 0,92 nos últimos cinco dias.

Alexandre Brito - RTP /
Reuters

Ainda de acordo com a ministra, o Rt em Portugal para a Covid - 19 teve uma variação muito ligeira entre regiões. São dados do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

"Nos últimos cinco dias, da análise realizada entre 23 e 27 de abril, o número médio de casos secundários resultantes de um caso infetado, medido em função do tempo, o conhecido Rt, foi de 0,92, com uma variação muito ligeira entre regiões", afirmou a ministra da Saúde.

Isto significa que cada pessoa infetada com o novo coronavírus está a transmitir o vírus, em média, a menos de uma pessoa. O dado, apesar de não ser ainda o desejável, já é positivo.
De recordar, no entanto, que a Noruega, por exemplo, aligeirou as restrições a partir do momento em que o Rt estava nos 0,7.
Afinal o que é esta taxa e qual a sua importância?

Como explicou recentemente em entrevista ao site da RTP a epidemiologista portuguesa Isabel Ferreira, o Rt é o "número básico de reprodução do vírus. Estritamente define-se como o ‘número médio de casos secundários de infeção originados a partir de um caso primário quando este, encontrando-se no seu período infecioso, é introduzido numa população que consiste somente de indivíduos suscetíveis’, isto é, antes que se comece a desenvolver imunidade generalizada e antes de qualquer tentativa de imunização". 

Este indicador é calculado e partir do início de um surto e é muito importante para determinar a probabilidade de um novo vírus se propagar pela população.

Se em média cada pessoa que desenvolve a infeção a transmitir a outras duas, o Rt é 2. Se o Rt médio numa população é estimado acima de 1, o vírus tem potencial para se propagar exponencialmente (e quanto mais alto for o valor mais rápida será a essa propagação). Se é inferior a 1, o vírus também se propagará, mas de uma forma lenta, até que desaparecerá, sem gerar epidemia. 

Explicou a epdidemiologista Isabel Ferreira que apesar da "aparente simplicidade e interpretação intuitiva, o cálculo do R em tempo real requer modelos matemáticos complexos e dinâmicos, que, de uma forma geral (e simplificada), equacionam o tamanho da população suscetível, o nível de transmissibilidade do vírus, o tempo durante o qual indivíduos estão infeciosos, e também a velocidade de remoção dos casos infetados da população suscetível, por recuperação ou morte.Todos os países europeus foram inicialmente um pouco complacentes na avaliação do risco de importação deste vírus e das suas consequências após terem soado os primeiros alarmes vindos da China".

Sobre o valor de 0.7 usado pela Noruega, Isabel Ferreira afirmou que se trata de um número que preserva uma margem de segurança, "mas este não é um valor universal de referência: cada país tem de o enquadrar nas suas realidades demográficas e sociais e na capacidade dos seus sistemas de saúde".

Disse ainda esta especialista que é "comum que o R não seja o mesmo em todo um território, portanto, as estratégias de contenção (e o momento do seu levantamento) podem diferir por regiões ou até mesmo localidades".

Para já, essa não é uma opção ponderada pelo Governo português, apesar das declarações ainda hoje da ministra da Saúde de que o R no centro do país é inferior ao do Norte e Lisboa e Vale do Tejo.
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