Detido suspeito de planear ataque a Marcelo Rebelo de Sousa

por RTP
Rui Cardoso - RTP

A Polícia Judiciária deteve um homem que alegadamente planeava um ataque contra o presidente da República. O suspeito exigia um milhão de euros para não matar Marcelo Rebelo de Sousa.

A Polícia Judiciária deteve, esta terça-feira, o homem que exigia um milhão de euros para não matar o presidente da República. O indivíduo, considerado pelas autoridades perigoso, tem antecedentes de crimes violentos e é agora suspeito de ter planeado um atentado contra Marcelo Rebelo de Sousa.

Em comunicado enviado à comunicação social, a PJ informou qie procedeu "à detenção fora de flagrante delito, de um indivíduo suspeito da prática dos crimes de coação agravada, de extorsão na forma tentada e de detenção de arma proibida".

Referindo-se aos factos que remontam a 26 de outubro, as autoridades indicam que houve "ameaças de morte e tentativa de extorsão", através de uma carta ao presidente da República, na qual estava ainda "uma munição de arma de fogo".

"Uma aturada investigação por parte da Unidade Nacional Contra Terrorismo, permitiu chegar à identificação do presumível autor da prática dos mencionados crimes, tendo nesta data sido realizada uma busca à residência deste, e a apreensão de vários elementos de prova".

Desta forma, o suspeito que possui "vastos antecedentes criminais, será sujeito a primeiro interrogatório judicial tendo em vista a aplicação de medidas de coação".

O homem foi detido esta manhã pelos elementos da Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ, na área da Grande Lisboa. A RTP sabe que esta operação da PJ envolveu fortes medidas de segurança, uma vez que o suspeito detido terá antecedentes criminais associados a criminalidade violenta.

Foi necessário proceder a várias diligências para se conseguir chegar a este indivíduo.
Marcelo Rebelo de Sousa já reagiu à informação sobre a detenção do suspeito.Não foi a primeira-vez que o presidente da República foi ameaçado.

"A maior intensidade de ameaças foi em 2017, na altura dos fogos", contou aos jornalistas.

Referindo-se a este caso, que remonta a outubro passado, Marcelo Rebelo de Sousa disse que só soube mais tarde da carta e que "não teria um milhão de euros".

"Não acompanhei mais o processo", explicou o presidente, acrescentando que desvalorizou por ser uma ameaça particular onde era identificado um número de telefone e uma conta bancária.

"Não era uma ameaça política, era um pedido de dinheiro"
, frisou ainda.
As ameaças dirigidas ao chefe de Estado remontam a finais de outubro de 2022 à Casa Civil, através de uma carta com um projétil no interior. No documento escrito era exigido dinheiro (e identificado o número de uma conta bancária para onde o dinheiro devia ser transferido) e referido que, se a quantia de um milhão não fosse paga, o presidente da República seria morto a tiro.

Tanto a bala como a carta foram imediatamente enviadas para a Unidade de Contraterrorismo da PJ e sujeitas a perícias no Laboratório de Polícia Científica. Desde essa altura, as autoridades têm investigado e seguido o rasto dos indícios, tendo chegado agora ao autor da ameaça ao presidente da República - localizado na Grande Lisboa e detido esta terça-feira numa operação cirúrgica, com elevadas medidas de segurança, tendo em conta a perigosidade do suspeito.

O alegado autor da ameaça a Marcelo Rebelo de Sousa será presente a tribunal, no prazo de 48 horas, e arrisca ficar em prisão preventiva.

Na altura, o presidente da República desvalorizouo incidente, sublinhando que recebeu mais “ameaças” quando tinha programa de televisão na RTP e na TVI do que em Belém.

“Quem anda nesta vida e eu já ando há 30 anos tem disto enfim às dezenas (…). Acontece, eu não dou grande importância”, disse.

O chefe de Estado referiu que este tipo de situações acontece espaçadamente, nunca se tendo confirmado qualquer gravidade.

“Isto acontece espaçadamente nunca se veio a confirmar qualquer gravidade da situação. Normalmente há o caso da perturbação ou nem é possível investigar o que se trata porque são cartas anónimas e, portanto, aqui também não porque estava fora. Estando fora os serviços entenderam comunicar à Policia Judiciária”, afirmou.
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