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Dez detidos por suspeitas de associação criminosa, corrupção e burla qualificada

Dez detidos por suspeitas de associação criminosa, corrupção e burla qualificada

A Polícia Judiciária deteve esta terça-feira três ex-administradores de insolvência, um advogado e seis empresários e comerciantes pelo alegado envolvimento num esquema criminoso usado em processos de insolvência que permitiu beneficiar os insolventes em prejuízo dos reais credores.

Lusa /
Rui Alves Cardoso - RTP

Em comunicado, esta força de investigação criminal explica que os detidos encontram-se indiciados pela prática dos crimes de associação criminosa, corrupção, burla qualificada, insolvência dolosa, falsificação de documentos e branqueamento de capitais, que terão sido praticados, pelo menos, entre 2023 e 2025.

"A investigação incide sobre a atuação organizada e concertada dos detidos, intervenientes em processos de insolvência e/ou de recuperação de empresas, no âmbito das suas funções profissionais, num esquema criminoso que permitiu beneficiar os insolventes e viabilizar a apropriação de património em prejuízo dos reais credores", detalha a PJ.

Fonte judicial adiantou à agência Lusa que esta investigação é autónoma daquela que levou à detenção do advogado Paulo Topa, em dezembro de 2025, por suspeitas de corrupção num esquema de desvio de fundos em processos de insolvência e recuperação de empresas.

Paulo Topa encontra-se em prisão preventiva ao abrigo desse processo, que tem ligações com esta investigação.

A operação policial desencadeada pela Diretoria do Norte da PJ decorreu nas áreas do Grande Porto, em Aveiro e em Coimbra, na qual foram detidas 10 pessoas, entre os quais três ex-administradores de insolvência, um advogado e seis empresários e comerciantes.

Segundo a investigação, através de pessoas singulares e/ou coletivas da sua confiança, que se apresentavam com créditos fictícios e documentação forjada, os envolvidos garantiam o imediato reconhecimento de credores sem a devida comprovação da dívida.

"Estes créditos fictícios, além de permitirem a apropriação imediata de bens móveis ou imóveis, asseguravam a aprovação dos planos de recuperação, para que os devedores pudessem tirar proveito dos seus efeitos, suspendendo a ação dos reais credores e dissipando o património existente", lê-se no comunicado.

No âmbito da operação `Cinderela`, acrescenta, foram ainda executadas 18 buscas domiciliárias e não domiciliárias, que visaram residências, empresas e escritórios de advogados, tendo sido apreendidos elementos probatórios de diversa natureza, designadamente, documentação, material informático, quantias monetárias, objetos de luxo e viaturas de gama alta, relacionados com a prática dos crimes em investigação.

Os detidos, com idades entre os 44 e os 77 anos, vão ser presentes ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto, para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação.

O inquérito é titulado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional do Porto.

Estiveram envolvidos nesta operação policial cerca de 80 elementos da Diretoria do Norte e, ainda, uma equipa de pesquisa e apoio de análise digital da UNC3T, da Polícia Judiciária.

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