Diocese de Coimbra aliviada com arquivamento de suspeitas de abusos sexuais

por Lusa

Coimbra, 25 nov (Lusa) - O vigário geral da Diocese de Coimbra, padre Pedro Miranda, manifestou-se hoje satisfeito e aliviado pelo arquivamento do processo que investigava alegados abusos sexuais de menores por parte de um sacerdote daquela congregação.

"Ficámos aliviados, quer pela investigação civil [que determinou o arquivamento], quer a da nossa parte, que teve o mesmo resultado", disse hoje à agência Lusa Pedro Miranda.

O caso remonta a julho de 2015 e foi suscitado num blogue anónimo na Internet, que acusava um sacerdote da Diocese de Coimbra e outros sacerdotes de outras dioceses de abuso sexual de menores.

O vigário geral lamenta o "alarme gratuito e injustificado" decorrente das acusações, mas nega que tenha existido "preocupação ou insegurança" na comunidade.

"Havia plena confiança no sacerdote em causa, que é muito respeitado pela comunidade", sublinhou.

Num texto publicado no semanário Correio de Coimbra, publicação daquela diocese, Pedro Miranda afirma que o tribunal determinou o arquivamento do processo "por inexistência de indícios mínimos para a credibilidade da acusação levantada" e que o mesmo destino [o arquivamento] teve um processo conexo àquele - contra os desconhecidos autores do blogue que lançou a suspeita - "por não ser possível identificá-los".

"A diocese vem tornar público que também a sua investigação teve o mesmo resultado e a mesma decisão de arquivamento que, nos termos das normas eclesiásticas em vigor, foi já comunicada à congregação romana competente", adianta.

"Ao mesmo tempo que vem tornar público o resultado das suas diligências, a diocese deseja também manifestar que a presunção da inocência, sob a qual, desde o início, o processo de averiguação se conduziu, passou de presunção a certeza moral", escreve ainda Pedro Miranda.

O responsável diocesano lamenta ainda, quer pela diocese, quer pelo sacerdote envolvido nas suspeitas, a "perturbação gratuita e estéril da relação de confiança entre os sacerdotes e o povo que servem" que o episódio provocou.

Na altura em que o caso foi revelado, o vigário geral tinha apelado em comunicado à denúncia de situações "concretas" de pedofilia na Igreja, após terem surgido "suspeitas" da prática de abusos sobre menores "por um membro do clero".

Na mesma altura, a Polícia Judiciária anunciou a abertura de uma investigação a eventuais casos de pedofilia na Igreja, após o comunicado divulgado pela diocese de Coimbra.