Direção-Geral de Saúde reconhece epidemia de sarampo em Portugal

por RTP
Valentin Flauraud - Reuters

Em declarações à Antena 1, Francisco George admite que há situações "preocupantes" e considera "absolutamente incompreensível que um pai ou uma mãe não vacine as suas crianças". Desde janeiro foram confirmados 11 casos de sarampo, estando ainda 12 em fase de investigação.

No programa Antena Aberta, esta segunda-feira na Antena 1, o diretor-geral da Saúde diz que os casos de sarampo registados correspondem a uma "atividade epidémica" e critica quem opta por não vacinar os filhos.

No entanto, Francisco George não dramatiza a situação e sublinha que a maioria dos cidadãos ”está protegida”. O diretor-geral da Saúde refere que mais de 97 por cento da população está imunizada por ter tido a doença na infância ou por ter recebido a vacina.

Por isso, Francisco George conclui que a doença não terá um controlo difícil, uma vez que a esmagadora maioria da população está protegida e que as vacinas “são muito eficazes”.

O diretor-geral de Saúde refere ainda que os grupos de pessoas que escolhem não vacinar as crianças “não é muito significativo em Portugal”, por comparação a outros países, nomeadamente a França e a Holanda.

Francisco George diz que esta situação é uma “oportunidade” para refletir na vacinação, um "direito" que assiste a todas as crianças e que o responsável compara mesmo à necessidade de garantir alimentação e condições de higiene.

Antes destas declarações, a Direção-Geral da Saúde confirmava esta manhã que foram notificados 23 casos de sarampo em Portugal desde janeiro, 12 ainda em fase de investigação.

Segundo a DGS, apenas 11 dos 23 casos notificados foram já confirmados pelo Instituto Ricardo Jorge. As autoridades de saúde prometem um novo comunicado para hoje, às 18h30, com mais pormenores sobre este assunto. Seis casos de internamento

Só na região de Lisboa, registam-se seis casos de internamento por sarampo, incluindo uma adolescente de 17 anos que foi transferida no domingo, em estado grave, do Hospital de Cascais para o Hospital D. Estefânia, devido ao agravamento do quadro clínico. 

O Expresso avançou no domingo que a transferência foi efetuada porque a unidade de D. Estefânia era a única "com quartos de pressão negativa e cuidados intensivos necessários para este tipo de situações".

Em declarações ao semanário, a diretora-geral do Hospital de Cascais revelou no fim de semana que a jovem integra um grupo de seis casos de menores que deram entrada na unidade com sarampo.

A primeira infeção terá sido detetada numa criança de 13 meses, não vacinada, que deu entrada no hospital no passado dia 27 de março. Cinco funcionárias foram contagiadas pelo bebé, mas estavam vacinadas, pelo que tiveram a doença de forma mais ligeira.

O sarampo é uma das doenças infeciosas mais contagiosas, podendo provocar doença grave ou mesmo a morte, mas é evitável pela vacinação e está controlada em Portugal há vários anos.

Consideram-se já protegidas contra o sarampo as pessoas que tiveram a doença ou que têm duas doses da vacina, no caso dos menores de 18, e uma dose quando se trata de adultos.

Mais de 500 casos de sarampo foram reportados só este ano na Europa, afetando pelo menos sete países, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

c/ Lusa

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