Diretor nacional da PJ mantém o que disse no julgamento de Rui Pinto e não pretende demitir-se

Diretor nacional da PJ mantém o que disse no julgamento de Rui Pinto e não pretende demitir-se

A RTP apurou que o diretor nacional da Polícia Judiciária mantém tudo o que disse no julgamento de Rui Pinto e não tem intenção de se demitir.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Miguel A. Lopes - Lusa

(em atualização)

Na quarta-feira, foram realizadas buscas a todos os elementos da PJ envolvidos numa alegada escuta em 2015 que terá sido decisiva para as autoridades identificarem o hacker.

As buscas incluíram o gabinete de Carlos Cabreiro, diretor da Polícia Judiciária, e do inspetor David Freitas, autor da denúncia contra o diretor nacional.

Os investigadores do Ministério Público quiseram ver os computadores de todos eles e apreenderam o telefone do autor da denúncia.

O inquérito foi aberto na sequência de uma denúncia apresentada à PGR relacionada com o processo Football Leaks, segundo a qual o atual diretor da PJ prestou falsas declarações em tribunal quando disse que não foram feitas escutas ambientais na investigação a Rui Pinto, que terminou com a condenação a pena suspensa do hacker e do seu ex-advogado, Aníbal Pinto.

Este processo, que foi julgado em 2023, envolveu casos de acesso indevido e violação de correspondência de entidades como o Sporting, a Doyen (fundo de investimentos ligados ao futebol), a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a PGR.
Processo em segredo de justiça e sem arguidos
De acordo com a queixa, estão em causa gravações, que terão sido autorizadas por Carlos Cabreiro, de um encontro em 2015 numa área de serviço na autoestrada A5 (Lisboa-Cascais) entre Aníbal Pinto e outros intervenientes no processo, que terá sido decisivo para a PJ chegar à identificação de Rui Pinto.

Carlos Cabreiro, diretor nacional da PJ desde abril de 2026, era à data da diligência sob suspeita coordenador da Secção de Investigação da Criminalidade Informática da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo da força policial.

As buscas do Ministério Público na Unidade de Prevenção e Apoio Tecnológico (UPAD) da PJ em Loures decorreram durante a manhã de quarta-feira. Já durante a tarde, o gabinete de Carlos Cabreiro foi alvo de buscas.

Os procuradores procuraram registos que provem a realização de uma escuta ilegal a Aníbal Pinto.

Em comunicado, o Ministério Público veio esclarecer que ainda não há arguidos e que o telemóvel do diretor nacional da Polícia Judiciária "não foi apreendido".

No inquérito investiga-se a eventual prática dos crimes de abuso de poder e de falsidade de testemunho agravada. O processo encontra-se em segredo de justiça.

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