Diretor nacional da PJ mantém o que disse no julgamento de Rui Pinto. Ministra da Justiça reitera confiança

Diretor nacional da PJ mantém o que disse no julgamento de Rui Pinto. Ministra da Justiça reitera confiança

A RTP apurou que o diretor nacional da PJ mantém tudo o que disse no julgamento de Rui Pinto e não tem intenção de se demitir. A ministra da Justiça garantiu que as recentes buscas não afetam a sua confiança em Carlos Cabreiro.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Lusa

Questionada pela RTP, a ministra da Justiça assegurou esta quinta-feira que “as diligências ontem realizadas não afetam a confiança no Diretor Nacional da Polícia Judiciária”.

“A ministra da Justiça respeita, em absoluto, a autonomia do Ministério Público e o regular funcionamento das instituições. Reafirma a sua total confiança na missão da Polícia Judiciária, no profissionalismo dos seus quadros e no seu papel essencial ao serviço da Justiça e do Estado de Direito”, lê-se na resposta do seu gabinete.

A ministra frisa ainda que “a Polícia Judiciária é uma instituição sólida, com uma história de competência de mais de 80 anos, dedicação e serviço público. É uma casa forte, construída sobre rocha, que merece a confiança do Estado e dos cidadãos”.

Na quarta-feira, foram realizadas buscas a todos os elementos da PJ envolvidos numa alegada escuta em 2015 que terá sido decisiva para as autoridades identificarem o hacker.

As buscas incluíram o gabinete de Carlos Cabreiro, diretor da Polícia Judiciária, e do inspetor David Freitas, autor da denúncia contra o diretor nacional. Os investigadores do Ministério Público quiseram ver os computadores de todos eles e apreenderam o telefone do autor da denúncia.

O inquérito foi aberto na sequência de uma denúncia apresentada à PGR relacionada com o processo Football Leaks, segundo a qual o atual diretor da PJ prestou falsas declarações em tribunal quando disse que não foram feitas escutas ambientais na investigação a Rui Pinto, que terminou com a condenação a pena suspensa do hacker e do seu ex-advogado, Aníbal Pinto.

Este processo, que foi julgado em 2023, envolveu casos de acesso indevido e violação de correspondência de entidades como o Sporting, a Doyen (fundo de investimentos ligados ao futebol), a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a PGR.
Processo em segredo de justiça e sem arguidos
De acordo com a queixa, estão em causa gravações, que terão sido autorizadas por Carlos Cabreiro, de um encontro em 2015 numa área de serviço na autoestrada A5 (Lisboa-Cascais) entre Aníbal Pinto e outros intervenientes no processo, que terá sido decisivo para a PJ chegar à identificação de Rui Pinto.

Carlos Cabreiro, diretor nacional da PJ desde abril de 2026, era à data da diligência sob suspeita coordenador da Secção de Investigação da Criminalidade Informática da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo da força policial.

As buscas do Ministério Público na Unidade de Prevenção e Apoio Tecnológico (UPAD) da PJ em Loures decorreram durante a manhã de quarta-feira. Já durante a tarde, o gabinete de Carlos Cabreiro foi alvo de buscas.

Os procuradores procuraram registos que provem a realização de uma escuta ilegal a Aníbal Pinto.

Em comunicado, o Ministério Público veio esclarecer que ainda não há arguidos e que o telemóvel do diretor nacional da Polícia Judiciária "não foi apreendido".

No inquérito investiga-se a eventual prática dos crimes de abuso de poder e de falsidade de testemunho agravada. O processo encontra-se em segredo de justiça.

PUB