Domingos Simões Pereira recebido pela diáspora guineense em Lisboa em clima de euforia e esperança

Domingos Simões Pereira recebido pela diáspora guineense em Lisboa em clima de euforia e esperança

Dezenas de guineenses da diáspora receberam na madrugada de hoje num ambiente de euforia, no Aeroporto Humberto Delgado, o líder da oposição da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, que dizem representar a "esperança de toda uma nação".

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Num ambiente de entusiasmo, cantavam, gritavam palavras de ordem, empunhavam bandeiras e manifestavam apoio ao político, aguardando a sua vinda à zona das chegadas.

"É um misto de sentimentos, porque Domingos Simões Pereira é a esperança de toda uma nação. É um guerreiro nosso e nós acreditamos nele enquanto homem do povo, enquanto estadista, enquanto um senhor que ama a sua pátria e o seu povo", contou à Lusa Sandra Ucha, uma das principais organizadoras desta mobilização.

"Ao vir para aqui, chorei um bocadinho, porque vi tantos guineenses a caminho para vir aqui para o aeroporto. Para receber muitos de nós, vai acordar às cinco da manhã, às quatro, para correr para ir trabalhar", disse.

Domingos Simões Pereira saiu na quinta-feira da cadeia, onde se encontrava em prisão preventiva, por ordens do juiz de Instrução Criminal, Mamadú Embaló, que autorizou que viajasse para Portugal, onde se vai submeter a tratamento médico.

Estava a cumprir prisão preventiva desde o passado dia 10 de julho, no âmbito de um processo em que é acusado pela justiça militar de participação numa alegada tentativa de golpe de Estado ocorrida em outubro de 2025.

Na opinião da ativista, com Domingos Simões Pereira em liberdade "é mais fácil fazer uma política feroz contra os golpistas que assaltaram o país" e que a "comunidade internacional possa olhar para nós para o sofrimento do povo guineense".

Questionada sobre se o opositor deveria, mais tarde, regressar à Guiné-Bissau, Sandra Ucha disse não ter dúvidas: "sim, ele não é homem de dar as costas à luta".

Também à Lusa, Rui Pinto Ribeiro, médico a residir em Portugal e coordenador do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) na Europa, disse que Domingos Simões Pereira deve regressar ao país porque "é a única esperança da Guiné-Bissau, neste momento".

"A primeira coisa que nós priorizamos é a saúde, porque sem saúde não se pode resolver mais. Depois disto, arranjar as novas estratégias, que de facto, tem que voltar porque ele é o representante do povo, ou ele em si é o povo, e o povo o representa", afirmou.

A expectativa era de que Domingos Simões Pereira saísse pela área das chegadas normais, levando os apoiantes a concentrarem-se nesse local, onde chegaram mesmo a estender tapetes tradicionais para o receber.

O aglomerado de pessoas provocou alguns momentos de tensão com a polícia.

Os guineenses acabaram por perceber que a saída seria feita por outro local e deslocaram-se para a saída do VIP Lounge, junto à porta do aeroporto, onde.

À saída, já perto da uma da manhã, o dirigente cumprimentou os presentes, enquanto era recebido num ambiente de euforia. Entre cânticos e aplausos, ouviam-se apelos à liberdade e incentivos para que "não desistisse".

Questionando pelos jornalistas, à saída do lounge VIP do aeroporto de Lisboa, se tencionava regressar, Domingos Simões Pereira foi taxativo: "absolutamente".

"Eu sou guineense e continuarei, assim que possível, este combate", garantiu.

Domingos Simões Pereira chegou por volta da 01:00 a Lisboa, tendo saído no dia anterior da cadeia, onde se encontrava em prisão preventiva, por ordens do juiz de Instrução Criminal, Mamadú Embaló, que autorizou que viajasse para Portugal, onde vai submeter-se a tratamento médico.

A informação foi avançada à Lusa por fonte da defesa do político, num contacto telefónico feito a partir de Lisboa.

Citando o despacho do juiz, a fonte referiu que Simões Pereira foi autorizado a ausentar-se da Guiné-Bissau durante noventa dias, período durante o qual não poderá desenvolver atividade política.

A mesma fonte adiantou que a decisão do juiz se baseou num relatório médico do Hospital Militar de Bissau, segundo o qual seria necessário que o líder do PAIGC fosse observado num centro médico especializado em Portugal.

"O suspeito está sujeito à obrigação de abster-se de desenvolver qualquer atividade político-partidária durante a vigência da suspensão. Findo o prazo de três meses, a situação processual do suspeito será novamente reapreciada pelo tribunal", sublinha-se no despacho.

 

Tópicos
PUB